Em depoimento dado na última terça-feira (23), após ser preso pela Polícia Federal, o hacker Walter Delgatti Neto, conhecido pelo apelido de Vermelho, disse que a ex-deputada federal e candidata a vice-presidente derrotada na eleição passada na chapa de Fernando Haddad (PT), Manuela D´Ávila, foi quem passou seu contato para o jornalista Gleen Greenwald, do site Intercept.

Vermelho disse ainda no depoimento que não recebeu nenhum valor em troca pelas mensagens, e que também não editou o material enviado a Greenwald, o qual conversou apenas por meios virtuais, e sem revelar sua identidade. Ele também falou que não conseguiu obter nenhum conteúdo das contas de Sergio Moro no aplicativo Telegram.

Como ele chegou aos telefones das autoridades

Para chegar até os telefones das autoridades que tiveram seus aparelhos invadidos, Delgatti percorreu uma teia de contatos. No depoimento, ele contou que após conseguir invadir a caixa postal de um médico no Telegram, e ouvir todas as mensagens, ele passou a usar o que aprendeu para invadir outros telefones.

Por meio de invasões de outros telefones ele chegou até o contato do promotor de Justiça Marcel Zanin Bombardi, de Araraquara, no interior de São Paulo, que havia oferecido denúncia contra ele.

Por meio da agenda de telefone de Bombardi, ele teve acesso a caixa postal de um promotor, do qual disse não recordar o nome.

Através desse promotor ele teve acesso ao número de um promotor da República que participava de um grupo de mensagens. Através desse grupo, ele chegou até o deputado federal Kim Kataguiri (DEM).

Do celular do deputado ele chegou ao número do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, de onde conseguiu o telefone de Rodrigo Janot, ex-procurador-geral da República, de onde conseguiu os telefones dos membros da força-tarefa da Lava Jato. Os acessos às caixas postais das autoridades foram feitos entre março e maio.

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Como foi feito contato com Manuela

No depoimento, Delgatti afirmou que após ter acesso às mensagens, decidiu procurar Greenwald, e, para isso, usou como intermediária a Manuela D´Avila, a qual conseguiu o contato após acessar a caixa postal da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele disse que entrou em contato com a ex-deputada no dia das mães, e comentou sobre o material ao qual teve acesso, e que precisava do jornalista americano.

Ao notar que Manuela não estava acreditando na informação que ele estava passando, Vermelho lhe enviou um áudio de dois procuradores. Horas depois, ele recebeu uma mensagem de Greenwald, que afirmou ter interesse em suas informações, e as reportagens de seus supostos conteúdos começaram a ser veiculadas no mês passado.

Manuela, por meio do Instagram, comentou sobre o fato através de sua conta oficial na rede social.

Confira a nota na íntegra:

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