Foi confirmado na tarde desta terça-feira (18), pela assessoria do Ministério Público Federal (MPF), que foi enviado um ofício pedindo ao Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) que investigue o juiz federal Marcelo Bretas. A corregedoria do TRF-2 irá investigar o magistrado.

Bretas é o responsável pelas ações em primeira instância da Lava Jato no Rio de Janeiro. O motivo da investigação é que no último sábado (15), o magistrado dividiu um palanque com o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e também com o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos).

Provavelmente, o juiz será alvo de um processo disciplinar.

'Aquele abraço'

No último sábado o juiz esteve presente ao lado dos políticos em um evento que celebrava a ligação da ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha. A seguir o grupo se dirigiu para a Praia de Botafogo, e participou de um evento evangélico. Marcelo Bretas também esteve presente na pista do Aeroporto Santos Dumont e recebeu com um abraço o presidente da República.

Silvana Batini, procuradora regional eleitoral e Neide Cardoso de Oliveira, procuradora regional eleitoral substituta, assinaram o texto encaminhado ao TRF-2.

De acordo com o texto assinado pelas procuradoras, a atitude do magistrado pode "fazer transparecer, erroneamente, que estaria representando todo o Poder Judiciário fluminense". O oficio também pede que seja instaurada investigação para apurar possível ilícito eleitoral, pois Marcelo Crivella é pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro.

'Muito comum'

Para o juiz Marcelo Bretas, a participação de autoridades do poder Judiciário em eventos de caráter institucional e religioso, que sejam dos outros Poderes, é algo comum e mostra que existe harmonia entre os Poderes do Estado, “sem prejuízo da independência recíproca”.

Esta é a Opinião do magistrado que foi divulgada em uma nota pública depois de ele ter sido questionado sobre sua presença nos eventos já mencionados, que contavam com a presença de representantes do poder Executivo.

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe santa Cruz fez uma reclamação no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em que pediu a abertura de um processo administrativo-disciplinar contra Bretas.

Santa Cruz cita no documento a participação de Bretas no evento gospel na Praia de Botafogo e também a inauguração da ligação da ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha, os eventos foram registrados em vídeos que foram publicados pelo juiz em seu Instagram.

Resposta

Bretas alegou que foi convidado para participar da agenda oficial do presidente Bolsonaro no Rio de Janeiro e do culto evangélico em comemoração aos 40 anos da Igreja Evangélica Internacional da Graça de Deus. Ele ainda afirmou que não sabia sobre o número de pessoas que estariam presentes nestes eventos e nem quem seriam estas pessoas.

Estavam presentes políticos e empresários. O magistrado também frisou que eram eventos político-partidários.

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