Nesta terça-feira (10), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) colocou mais polêmica no embate acalorado com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), sobre a obrigatoriedade ou não de tomar a vacina contra o novo coronavírus. Em seu Twitter, Bolsonaro publicou uma mensagem alfinetando Doria, afirmando ter ganhado dele o discurso sobre a obrigatoriedade da vacina contra a Covid-19. Em outro pronunciamento Bolsonaro chegou a dizer que a vacina jamais poderia ser tomada. Desta vez, o presidente também aproveitou a ocasião para referir-se à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que suspendeu os testes da Coronavac no estado paulista.

Opositores criticam atitude de Bolsonaro

Em respostas às provocações de Bolsonaro, opositores acabaram condenando as publicações do presidente. Em seu Twitter, o ex-candidato a presidente da República em 2018 Ciro Gomes (PDT) postou que cadeia é pouco para políticos que estão fazendo campanha política em cima da vacina. "Cadeia é muito pouco para canalhas que fazem politicagem com vacina", disse.

Em seu Twitter, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B), afirmou que o presidente segue sendo o melhor aliado do coronavírus aqui no Brasil.

Dino também citou as 163 mil vítimas da Covid-19 e lamentou o fato do presidente se achar ganhador disso.

Por meio de seu perfil no Twitter, o PSDB postou uma nota afirmando que o presidente Jair Bolsonaro teria comemorado o óbito de um voluntário dos testes da Coronavac.

Ainda segundo informações apresentadas pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, o paciente não teria falecido por conta de complicações causadas pela vacina, mas por outros problemas de saúde.

O deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ), líder de seu partido no Congresso, também aproveitou a ocasião para deferir críticas ao presidente.

Segundo Molon, Bolsonaro mantém uma disputa política com seus adversários para no final ver quem sai o vencedor. Em nota, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) afirmou escrever em nome dos senadores da oposição para lamentar a comportamento do presidente, classificando as atitudes de Bolsonaro como irresponsáveis.

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) publicou em seu perfil no Twitter que Jair Bolsonaro deve ser interditado do Governo pelo fato de comemorar a notícia que a Anvisa suspendeu os testes da Coronavac, como se o assunto estivesse ligado a uma disputa política.

A deputada ainda se referiu a Bolsonaro como genocida e afirmou que o importante é que a vacina tenha eficácia, e não sua origem.

Mais cedo, Bolsonaro havia respondido a um seguidor no Facebook com a seguinte mensagem: "Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória.

Mais uma que Jair Bolsonaro ganha".

Anvisa é comandada por aliado de Bolsonaro

Nos bastidores do governo, os opositores temem que a suspensão dos testes com a CoronaVac esteja relacionada a mais uma intervenção de Bolsonaro. Uma vez que a Anvisa é chefiada pelo Almirante Barra, aliado político do presidente e que estaria disposto a seguir ordens para barrar as pesquisas.

A Anvisa não deu detalhes do que levou à decisão de suspender os estudos da Coronovac, limitando-se a informar que foi devido a um "evento adverso grave". O Instituto Butantã, que desenvolve a Coronavac em parceria com o laboratório chinês Sinovac, alega que a morte de um voluntário dos estudos clínicos da vacina no último dia 29 de outubro não tem nenhuma relação com o imunizante.

Recentemente, os testes da vacina elaborada pela Universidade de Oxford em parceria com a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca também foram suspensos por problemas semelhantes, entretanto as pesquisas recomeçaram.

Por meio de uma nota lançada pela Anvisa durante a noite desta segunda-feira (9), a agência de vigilância sanitária explicou que vem averiguando os problemas em questão e que somente uma investigação por parte de especialistas poderá indicar se existe realmente alguma reação causada por conta da vacina.

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