O Repórter Diário, veiculo de comunicação do ABC Paulista, entrevistou nesta sexta-feira (7) Guilherme Boulos (PSOL). O político, ativista e professor é um dos nomes que tem ganhado corpo no campo da esquerda nacional. Ele foi candidato à presidência em 2018 e chegou ao segundo turno da eleição para a prefeitura de São Paulo em 2020.

Manifestações do movimento dos sem-teto

O político comentou algumas manifestações realizadas hoje (7), em diversos municípios do país, organizadas pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto). Os manifestantes fecharam diversas vias.

Boulos tem ligação com o movimento e diz que os manifestos pleiteiam o retorno do auxílio emergencial no valor de R$ 600 e ainda investimento na habitação popular. "Na verdade, essa ação é uma resposta a situação desesperadora que milhões de brasileiros estão vivendo. Eu acho que ninguém hoje, sobretudo com o cenário que a gente tá da covid, gosta e quer ir às ruas fazer manifestação. Todo mundo está receoso e com razão. Agora, chegou numa situação desesperadora. Tem gente que tava dependendo do auxílio emergencial de R$ 600 para sobreviver e quando ele foi cortado no início do ano foi se virando como pode e não está conseguindo se virar mais", disse.

Boulos afirma que a crise econômica é visível no cotidiano das cidades.

"Não tem um semáforo que não tenha alguém com uma plaquinha de papelão na mão, uma criança ou idoso, com uma plaquinha de papelão na mão implorando por um alimento, por comida. Essa é a situação. O que tem de gente sendo despejada porque não tem condição de pagar aluguel no meio da pandemia [do coronavírus], quando o Governo diz 'fique em casa' e tão lá as pessoas perdendo as casas.

E nesse cenário, o Jair Bolsonaro cortou 98% do recurso do orçamento para habitação popular. Vai paralisar obras de duzentos e cinquenta mil unidades habitacionais no Brasil. Nesse mesmo cenário, o senhor João Doria congelou o investimento de habitação no estado de São Paulo. Então veja, é uma falta de alternativa, é um desespero, é um grito de quem não aguenta mais que foi às ruas hoje", desabafou.

MTST

Não é de hoje que o movimento dos sem-teto é tido por parte da opinião pública como um bando de invasores que tomam a propriedade alheia sem critério. Boulos se defende da acusação, afirmando que os sem teto agem dentro da lei. "Nós temos que saber diferenciar bem as coisas. Qual é a fake news que é vendida é dizer: 'o MTST invade a casa dos outros'. Você tá lá na sua casa e vai chegar alguém com uma marreta na tua porta, vai estourar tua porta e botar sem teto para morar na sala. Não é isso. Isso é uma mistificação que beira o ridículo. O que o movimento faz é identificar imóveis abandonados. Às vezes abandonados há vinte, trinta anos. Às vezes devendo mais imposto que o valor do imóvel, que já deveriam ter sidos desapropriados para moradia popular se a lei fosse cumprida.

E destinar esses imóveis para moradia (...) MTST não toma a casa de ninguém, ao contrário, dá a casa para as pessoas, a partir dessa luta", explicou.