Desde o início dos trabalhos da CPI da Pandemia, diversos integrantes e ex-integrantes do governo foram chamados para dar explicações sobre as atitudes do poder público no enfrentamento da pandemia da Covid-19. O general Eduardo Pazuello, que ocupou o cargo de ministro da Saúde até março deste ano, seria um dos primeiros a depor no Senado Federal. Entretanto, o militar declarou que teve contato com pessoas contaminadas pelo novo coronavírus e sua presença na comissão foi adiada para a última quarta-feira (19).

Os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich prestaram depoimento e deram declarações surpreendentes sobre as atitudes do governo diante da crise sanitária provocada pela Covid-19.

Mandetta afirmou que existia um aconselhamento paralelo ao presidente da República e que ele cogitou alterar a bula da cloroquina com o fim de indicar o medicamento para tratar pacientes com a Covid-19. Teich ressaltou os motivos de sua demissão e reiterou que não tinha total autonomia para liderar a pasta.

O depoimento de Eduardo Pazuello nesta quarta-feira (19)

Apesar de conseguir um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, que permitia ao general permanecer em silêncio diante de questionamento que pudessem incriminá-lo, Eduardo Pazuello respondeu a todas as questões que lhe foram direcionadas pelo relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL). A sessão foi marcada por significativo tumulto entre os senadores, principalmente quando o ex-ministro foi questionado sobre a falta de oxigênio em Manaus, que ocorreu no início deste ano.

Pazuello respondeu que o problema da falta de insumos para o tratamento de pacientes acometidos pela Covid-19, como o oxigênio, foi resolvido pela pasta. Ele declarou que as unidades de saúde do Amazonas permaneceram 3 dias sem o tal insumo. Diante dessa fala, o senador Eduardo Braga, que foi eleito pelo estado amazonense, elevou o tom contra Pazuello.

"Pelo amor de deus... Faltou oxigênio na cidade de Manaus por mais de 20 dias. É só ver o número de mortos, o desespero das pessoas...", disse.

Pazuello é acusado de mentir

As explicações fornecidas pelo general repercutiram nas redes sociais e principalmente entre os jornalistas. Reinaldo Azevedo, que trabalha na rádio BandNews, acusou o general de mentir sobre acordos para a compra de imunizantes.

Eduardo Pazuello afirmou que órgãos de controle, como a Advocacia-Geral da União, o Tribunal de Contas da União e a Controladoria-Geral da União, indicaram que o acordo de 70 milhões de doses da vacina contra o coronavírus da Pfizer, para o primeiro semestre de 2021, não deveria ser assinado. Carlos Murillo, que é executivo da Pfizer na América Latina, disse que o governo de Jair Bolsonaro recusou tal acordo quando foi questionado pelos parlamentares da CPI.

No vídeo publicado no canal do YouTube da rádio Band News, os jornalistas comentaram a fala do ex-ministro. "Fiquei estupefato... Você contar uma mentira em flagrantes sobre um tribunal de contas", disse Reinaldo Azevedo. Ele elevou o tom e criticou o militar avidamente sobre sua postura diante da possibilidade de garantir doses de imunizantes aos brasileiros.

Além disso, o TCU, órgão citado por Pazuello em seu depoimento, desmentiu o ex-ministro e ressaltou que não recomendou recusar o acordo para adquirir vacinas da Pfizer.