Dos locais mais elevados do subúrbio carioca é possível ver sua peculiar torre vermelha em meio à multidão de cimento armado do casario da zona norte. Da estação de trem do Méier ela também pode ser avistada, meio escondida pelos prédio altos. A Basílica do Imaculado Coração de Maria se destaca assim na paisagem da região e é o melhor ponto de referência para quem quer se aproximar da rua Coração de Maria, onde está situada. Uma das três igrejas católicas do mundo em estilo mourisco --o mesmo que predomina na Fundação Oswaldo Cruz, na avenida Brasil-- a matriz é a reprodução ampliada de uma mesquita erguida por invasores mouros na região de Córdoba, no Sul da Espanha.

Com origem numa pequena capela levantada no morro das dores, em Todos os Santos, para devoção de Nossa Senhora das Dores, a construção do tempo resultou de um contrato assinado no dia 1° de fevereiro de 1907 pelo Cardeal Joaquim Cavalcanti e pelo Padre Zacarias Iglesias. Duas semanas depois da assinatura do documento, o Padre Urbano Cecílio Martins, Vigário da Freguesia do Engenho Novo, deu a posse da capela aos padres Florentino Simon e Inácio Bota.

No dia 31 de outubro de 1909 foi lançada a pedra fundamental para a edificação da capela, mas a construção só começou em janeiro do ano seguinte. A inauguração da primeira parte da igreja aconteceu em agosto de 1912, com um culto realizado pelo Cardeal Arcoverde.

Toda a parte central do santuário ficou pronta exatamente dois anos mais tarde. Erguido em quatro fases, o templo só foi concluído em 1924, quando a torre ficou pronta.

Durante um temporal, em 16 de setembro de 1929, o teto desabou, destruindo grande parte do acervo. Do meio dos destroços, os fiéis conseguiram salvar o órgão alemão.

Na época os paroquianos organizaram-se em comissões, a fim de angariar contribuições para a reedificação do templo. Ele só foi reinaugurado em dezembro de 1930.

CENTRO DE ROMARIA

Projetada por Adolfo Morales de Los Rios --cujo traço arquitetônico marcou várias edificações importantes do Rio antigo--, a igreja foi elevada à categoria de Basílica Menor em 1963, por determinação do Papa João 23.

Para receber essa designação, o templo tem que apresentar notáveis dimensões e ser procurado por um grande número de fiéis, além de ser centro de romarias e peregrinações. Este é o caso da Basílica do Méier, cuja nave mede 64 metros de comprimento por 24 de largura, e tem capacidade para 900 pessoas sentadas.

A absorção da cultura árabe pelo cristianismo se faz notar nas formas da basílica. Nas torres, nos arabescos e no interior da matriz são facilmente identificados traços da arquitetura moura. Por dentro, sua principais características são os arcos em forma de ferradura, o cruzamento das linhas na pintura, os relevos e as rosetas --grandes janelas redondas e com vitrais.

A maioria das imagens no interior da Basílica é de origem espanhola.

A do Imaculado Coração de Maria por exemplo, que mede 80 centímetros e é toda em madeira, foi trazida de Barcelona pelo padre Simon e abençoada pelo Cardeal Leme, em 1915.

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