Na tarde desta quarta-feira (9), o governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), determinou a exoneração da porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, a tenente-coronel Gabryela Dantas.

Na noite de terça-feira (8), a tenente-coronel protagonizou um vídeo que circulou nos canais da PM do Rio de Janeiro.

No vídeo, Gabryela aparecia fazendo críticas de caráter pessoal a um repórter dos jornais O Globo e Extra.

A policial fez comentários depois que foi publicada uma matéria que utilizou dados oficiais da própria PM que mostrava o aumento do consumo de munição por policiais militares no batalhão que está sob investigação por causa das mortes das meninas Rebeca e Emily, no último sábado (5).

A porta-voz da PM se referiu ao trabalho do jornalista como "covarde e inescrupuloso", além de usar outros adjetivos.

Gabryela ainda disse o nome do repórter e incentivou o compartilhamento do vídeo. As declarações da oficial da PM geraram uma série de ataques ao profissional de imprensa.

Notas de repúdio

Entidades de classe e organizações que atuam em defesa da liberdade de imprensa manifestaram revolta com as declarações de Gabryela Dantas. Os jornais do grupo Globo também se manifestaram dizendo que faz parte da prática do jornalismo diário ouvir críticas, contestações, além de pedidos de reparação de determinada informação.

Entretanto, a Editora Globo declarou seu repúdio aos ataques feitos pela porta-voz da PM carioca, que fazendo uso de um vídeo oficial, afirmou que o repórter seria um inimigo da corporação e ainda incentivou as pessoas a divulgarem o vídeo.

A declaração da Editora Globo afirmou ainda não ser o papel de uma instituição do Estado atacar de forma pessoal um profissional e ainda incentivar a população contra ele.

O governador em exercício do Rio tomou a decisão após ter tido uma conversa por telefone com José Rogério Figueredo, secretário de Polícia Militar, que irá oficializar a saída de Gabryela.

Cláudio Castro também exigiu que o vídeo fosse excluído das redes sociais. Por volta das 16h40, a PM excluiu o vídeo de suas redes sociais. O governador foi informado que partiu da própria tenente-coronel gravar o vídeo.

Políticos ao ataque

Até o momento de sua exclusão, o vídeo já tinha atingido mais de mil compartilhamentos e recebeu 3,4 mil curtidas.

Até mesmo políticos do Rio de Janeiro atacaram o jornalista, como foi o caso da deputada federal Major Fabiana (PSL-RJ).

Em seu Twitter, a parlamentar, que é oficial da PM, deixou uma mensagem com tom ameaçador, dizendo para a classe jornalística que o recado já tinha sido dado e que a classe deveria ter ética.

Daniel Silveira, também do PSL e também vindo da PM, usou um tom agressivo e disse se tratar de "jornalismo mentiroso", mas não apresentou provas de sua declaração.

Mesmo afastada da função de porta-voz da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Gabryela Dantas ainda segue como oficial da corporação.

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