O poeta e cantor Cazuza (1958-1990) disse certa vez: “Ideologia, eu quero uma pra viver”. Pois bem, a ideologia caracteriza o homem moderno. Todos nós temos as nossas próprias ideologias e não há nada de errado nisso.

O problema é quando você passa acreditar que a sua ideologia é melhor do que a ideologia do outro, que a sua ideologia é a única certa. Aí mora o problema. Mas, afinal, o que é ideologia?

Dentre as várias definições de ideologia, a que mais chama atenção é aquela que define ideologia como sendo “um conjunto de ideias que dissimulam a realidade”. Aí mora o perigo, pois, como disse o filósofo Karl Marx (1818-1883), “as ideias dominantes de uma época são sempre as ideias da classe dominante”. Ou seja, toda ideia que mostra ou explica o mundo, a realidade, as coisas apenas de um jeito, de uma forma, é perigosa.

Na verdade, não merece crédito.

Na verdade, a realidade é polissêmica, isto é, possui muitas formas e não pode ser vista e interpretada apenas de um jeito, de uma forma. As coisas são formadas ou possuem muitas faces. Como tal, não podem ser interpretadas apenas de uma maneira.

Existem várias formas, tipos, maneiras de ver, encarar e interpretar o mundo e as coisas que nos cercam. Não se pode ser ingênuo nesse aspecto.

Nesse sentido, a ingenuidade leva à alienação.

Geralmente a ideologia está ligada a Alienação. Por alienação entende-se que é “a diminuição da capacidade dos indivíduos em pensar ou agir por si próprios”. Imagine você uma pessoa assim? Você conhece alguém que é alienado? Terrível, não?

Pois bem! Os indivíduos alienados não têm interesse em ouvir opiniões alheias e apenas se preocupam com o que lhe interessa.

Por isso, são pessoas alienadas. Um indivíduo alienado pode ser também alguém que perdeu a razão, ou seja, que está louco.

Poucos sabem, mas, em matéria de alienação, o homem contemporâneo parece ter chegado ao seu limite. O homem alienado perde a capacidade de sonhar, de acreditar na mudança, de que outra sociedade é possível.

Os políticos profissionais, aqueles que aparecem na comunidade, no bairro somente em época de eleição, fazem de tudo para que o povo permaneça alienado.

Um homem alienado destrói o sonho de uma cidade inteira.

Por outro lado, afirmar que o homem não é dono de si é aceitar a alienação humana. Enquanto sujeito alienado, o homem é incapaz de saber o que é bom ou ruim para ele. Daí a importância das instituições sociais. As escolas, as igrejas etc. precisam ensinar as crianças, os jovens que a pressa condena-nos ao esquecimento.

Às vésperas de mais uma eleição presidencial no Brasil, cabe aqui mais uma reflexão.

O povo brasileiro não pode ser alienação em relação à política. A política, como disse o filósofo Aristóteles (384-322 a.C.), “é a ciência que tem por objeto a felicidade humana”.

Façamos as nossas escolhas para que sejamos felizes. Afinal de contas, a felicidade humana é aquilo que nos identifica como pessoas. Não existe um ser humano na face da Terra que não queira ser feliz!

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