A reportagem da revista francesa "Le Point" traz esta semana reportagem sobre a filosofia minimalista, que, inspirada no movimento artístico de mesmo nome, defende que o consumismo está relacionado diretamente com a felicidade (ou melhor, com a infelicidade), e tem ganho novos adeptos em todo o mundo. A reportagem colheu o depoimento de pessoas que seguem a tendência de possuir menos bens materiais em busca de uma vida mais feliz.

Os adeptos da filosofia afirmam que a humanidade pode ser mais feliz vivendo apenas com o essencial, e que a busca desenfreada por novos bens pode levar o ser humano ao desequilíbrio emocional e à infelicidade.

O francês David Schombert disse à revista que vive em um apartamento praticamente sem objetos, simplesmente tem o essencial. Até mesmo a cama que para muitos é um móvel sagrado, para David não passa de um objeto que pode ser dispensado e foi o que ele fez ao trocar o tradicional móvel por uma espécie de tatame que ele dobra e guarda em uma cômoda.

Adeus coisas

O japonês Fumio Sasaki, autor do livro "Goodbay, Things", (para o português, "Adeus, coisas") publicado em 23 idiomas, e um dos maiores apoiadores do movimento, se livrou de grande parte de seus pertences, tais como, livros e instrumentos musicais que, para ele, não tinham serventia alguma, além de servirem apenas para passar a sensação de que "era mais inteligente".

O escritor doou parte de seu guarda-roupas e também fez uma limpeza em seu grupo de amizades, reais e virtuais.

Sasaki relata que em regra, as pessoas que aderem à filosofia minimalista como um estilo de vida percebem que a busca por novos bens, o desejo de cada vez mais consumir, não as faz feliz, ao contrário, em muitos casos, o consumismo desenfreado contribui para a infelicidade, pois o desejo de se obter cada vez mais, cria um círculo vicioso, no qual a pessoa trabalha para consumir. Toda a energia colocada na busca pelo "ter" poderia ser dispensado a família, amigos e paixões, conta ele.

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A riqueza material não traz à felicidade

A reportagem da revista francesa, também traz dados de pesquisas científicas e psicológicas, feitas pela Universidade da Califórnia, que visam teorizar o que faz bem as pessoas. Segundo a pesquisa, apenas 10% da felicidade humana advém dos fatores de vida, tais como as riquezas materiais. O fator genético corresponde a 50%, enquanto 40% está relacionado com o comportamento de cada um. Segundo Fumio Sasaki, com base no estudo da universidade da Califórnia, cada um de nós deve aplicar nesses 40%, atividades esportivas, intelectuais, espirituais e em viagens.

Na matéria publicada pela revista há uma lista contendo 12 regras para os que querem aderir ao minimalismo. Uma pergunta que deve ser feita por quem pretende seguir a filosofia é: Se você perder determinado objeto, o compraria novamente? Se a resposta for não, livre-se dele imediatamente.

O economista Phillipe Moati, da universidade Paris-Diderot, entrevistado pela revista "Le Point", explicou que o fenômeno é uma tendência que cresce no mundo todo e que teve seu inicio na França no ano de 2012, quando os franceses passaram a expressar o desejo de se consumir menos, mas com maior qualidade.

Segundo o economista, a tendência do "Less is More" (no português: menos é mais) conquistou 1/4 da população daquele país.

No entanto, o economista ressalta que a filosofia minimalista pode apresentar uma espécie de esnobismo. Para ele, algumas pessoas adotam este estilo de vida apenas para se diferenciar da sociedade que prega a abundância, dessa forma, a acumulação de pertences não simboliza mais integrar a classe social dominante.

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