O filme "Roma", do cineasta mexicano Alfonso Cuarón, é um marco na história do Cinema, já que é o primeiro filme na história a concorrer ao Oscar que não foi exibido primeiramente nas telonas. A produção é o que costuma se chamar de "filme de autor", pois tem um ritmo lento, quase arrastado, feito com a ausência de cores e ainda conta com belas cenas e longos planos-sequência.

A trama

Ambientada em um bairro de classe média-alta (Vila Roma), localizado no centro da cidade do México, a trama acompanha um período na vida de uma família pequeno-burguesa e seus empregados.

O filme mostra especificamente a relação entre a patroa Sofía (Marina de Tavira) e a empregada Cleo (Yalitza Aparicio).

Alfonso Cuarón, produtor e diretor do longa, já no roteiro, especificou cada detalhe dos automóveis que são vistos na produção. No filme da Netflix, os automóveis apresentados estão carregados de metáforas e simbolismos.

Galaxie 500 Sportsroof (1970)

O carro é uma das figuras centrais do filme.

Comprado há pouco tempo pelo dono da casa, Dr. Antonio (Fernando Grediaga), o imenso Ford importado dos Estados Unidos simboliza a ostentação de uma classe média-alta que quer ir além de suas reais possibilidades.

A sequência da entrada do carro na garagem, que é pequena demais para ele, já está sendo apontada por muitos críticos como uma das sequências clássicas do cinema. O carro de duas portas, com seus 5,42 m de comprimento por 2,02 m de largura, no decorrer da história simbolizará o desmoronamento daquela família com os danos que lhe são causados.

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Cinema

VW 1200 (1960)

Dr. Antonio abandona a família, mas diz que será uma viagem de apenas algumas semanas, então, o médico não precisará mais do gigantesco Galaxie e leva outro carro da família, um Volks 1200. Ele imagina que não precisa mais de um carro tão grande para a nova fase de sua vida, o espaço no porta-malas dianteiro e o "chiqueirinho" traseiro são suficientes.

Valiant (1965)

O terceiro carro da família é um Valiant segunda geração, um sedã de quatro portas bem menor que o Galaxie.

O carro fabricado no meio da década de 1960 já estava bem rodado em 1970/1971, época em que o filme se passa. Este carro era dirigido, na maioria das vezes, pelo motorista da família em atividades como levar as crianças para a escola. Cuarón evidência a decadência do automóvel com sua pintura desgastada.

Renault 12 (o modelo do filme mostra elementos das versões de 1971 e de 1975)

Este automóvel pouco aparece no filme, porém, é o carro mais simbólico da produção, pois representa a constatação de que Dr.

Antonio não voltará para casa, então, é preciso se desapegar do passado, (representado pelo Galaxie 500). Sofía, então, vende o Galaxie e compra o Renault 12, carro mais modesto e que cabe perfeitamente na garagem da família.

A curiosidade sobre o carro que aparece na tela é que ele possui a grade correta para a época em que o filme se passa (1971), porém, o para-choque é o que só seria encontrado nos modelos pós 1975.

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