Estreou nesta quarta-feira (26), na Netflix, a série “I Am Not Okay With This". A produção é baseada na HQ homônima de Charles Forsman, o mesmo autor de outra graphic novel que também virou série da Netflix “The End of the F***ing World”.

A nova série tem em seu elenco dois dos atores do filme “It: A Coisa”, Sophia Lillis e Wyatt Oleff. O elenco conta ainda com: Aidan Wojtak-Hissong ("Caminhos Cruzados"), Kathleen Rose Perkins ("Episodes") e Sofia Bryant ("The Good Wife"). Jonathan Entwistle, Christy Hall são os diretores da série.

O próprio Charles Forsman está na produção da atração, junto com os produtores executivos Dan Cohen, Josh Barry e Shawn Levy, o trio também trabalhou em outra série teen da Netflix, “Stranger Things”, uma das séries mais assistidas do serviço de streaming. A primeira temporada possui sete episódios que variam sua duração entre 19 e 28 minutos.

A trama

A produção acompanha a vida de Sydney, uma adolescente aparentemente comum que tem que lidar com as dificuldades do colegial, as situações complexas de sua família, sua sexualidade e os superpoderes que ela descobre que possui.

Logo em seu primeiro episódio, “Querido diário...”, a série mostra qual será a tônica de toda a primeira temporada, e neste caso, isto não é uma coisa boa. As primeiras cenas da produção mostram a protagonista Sydney Novak (Sophia Lillis) andando no meio de uma rua com o rosto e seu vestido sujos de sangue, desta maneira, o espectador já toma conhecimento de que algo de muito sério irá acontecer no futuro.

Há um corte para o presente da adolescente de 17 anos e a produção usa o recurso da narração em off para contar como é a vida da adolescente que atravessa um momento difícil em sua vida, seu pai tirou a própria vida há pouco tempo e a relação com sua mãe não é das melhores. Ainda tem o fato de ela ser nova na cidade.

Um dos problemas de “I Am Not Okay With This” é a sua constrangedora semelhança com “The End of the F***ing World”, que também faz uso do recurso do “voice-over” com a diferença que esta última produção se encontra uma trama mais intrigante, que disfarça este polêmico recurso.

Ambas as séries apresentam estruturas narrativas similares, em que um casal de adolescentes são os protagonistas. Enquanto “The End of the F***ing World”, tem uma trama mais coesa, em “I Am Not Okay With This” é encontrado um roteiro bagunçado que atira para várias direções sem nunca acertar o alvo.

A série fez uma mistura de vários gêneros e não conseguiu obter um resultado animador, o arco dramático da protagonista não funciona, pois os dramas são mostrados de forma superficial em que dificilmente haverá uma conexão com a triste história de Sydney.

O outro mote da produção, a descoberta dos poderes da jovem, é feita de uma maneira extremamente sonolenta, com a personagem tendo dificuldades em entender e aceitar suas habilidades somente do meio para o final da primeira temporada.

Clichês

A nova série é mais uma produção teen que ainda faz uso do velho clichê de produções teen em que há a presença do aluno popular, capitão do time de football da escola que é um mulherengo e valentão. Embora a presença deste personagem na série até se justifique no último episódio, foi uma chance perdida da obra de mostrar algo diferente.

'The End of the F***ing World'

Na primeira produção baseada na obra de Charles Forsman, na Netflix, o casal de adolescentes Alyssa e James (Jessica Barden e Alex Lawther, respectivamente) formava uma estranha dupla que empolgava o público. Já o casal da nova série não empolga tanto assim, não por culpa do ator Wyatt Oleff, que dá vida ao simpático Stanley Barber.

Wyatt Oleff e o ator mirim Aidan Wojtak-Hissong, que interpreta o irmão mais novo da protagonista são provavelmente a melhor coisa da série. Outro ponto em comum entre as duas séries é a trilha sonora que é recheada de clássicos do rock alternativo.

No final das contas, “I Am Not Okay With This”, decepciona por beber demais na fonte de outro produto similar, e também por não explorar de modo mais convincente as tramas envolvendo super-heróis e elementos de ficção científica.

A junção dos ex-atores mirins que participaram do longa-metragem de terror “It: A Coisa”, além dos produtores de “Stranger Things” e referências explícitas a “The End of the F***ing World”, não foram suficientes para fazer desta nova série algo memorável.

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