Drama, suspense, ficção científica, estes elementos podem ser vistos na nova produção da Netflix que estreou nesta sexta-feira (20) “O Poço”. Esta produção espanhola é o primeiro longa metragem do diretor Galder Gaztelu-Urrutia. O filme é uma distopia em que é apresentada uma prisão vertical em que são colocadas duas pessoas em cada andar, a comida é distribuída de cima para baixo. Isto quer dizer que aqueles que estão localizados nos andares superiores, irão comer melhor que os que estiverem abaixo, chegando ao ponto de não sobrar comida para os últimos que receberem a comida.

A luta por ter o que comer é o grande foco do filme, em que uma plataforma desce com um verdadeiro banquete, mas à medida que a plataforma passa pelos andares, o que era uma refeição luxuosa acaba se tornando um verdadeiro lixão.

O ator Ivan Massagué interpreta Goreng, o protagonista que é voluntário para participar do experimento. Ele permanecerá na prisão por seis meses neste período ele pretende parar de fumar e terminar de ler Don Quixote. As duplas de prisioneiros confinados são mudadas de andar a cada mês e não há qualquer tipo de separação entre eles, prisioneiros políticos podem ser colocados juntos com assassinos. São mostrados no filme personagens bem cruéis, que só pensam em si mesmos. Enquanto existem outros que tentam fazer com que a distribuição da comida na estranha prisão chegue para todos.

Luta de classes

Em tempos de “Parasita” o filme sul-coreano sensação no Oscar 2020 que falava sobre a luta de classes, este tema é também abordado na produção espanhola, mas o filme de Galder Gaztelu-Urrutia, está aberto para outras interpretações.

A trama parece um estudo social, que pretende investigar o comportamento de seres humanos que são colocados em uma situação extrema em que eles próprios poderiam se ajudar uns aos outros, já que a comida que eles recebem se fosse feito um racionamento, poderia dar para todos. Porém o que é visto na tela é como o ser humano acaba se tornando cruel quando colocado em uma situação de luta pela vida.

A referência à luta de classes é mostrada todo o tempo, quando os personagens sempre dizem que os que estão nos andares superiores vão sempre fazer questão de só deixar restos para os que estão logo abaixo, porém eles vivem em um sistema aleatório em que ora estão nos andares superiores, como também podem ir para os níveis mais baixos da prisão vertical, e nem isto faz com que a grande maioria dos prisioneiros pense no bem comum.

O que evoca a teoria de que o oprimido acabará se tornando o opressor se tiver oportunidade.

O filme passa boa parte do tempo investigando o comportamento humano em uma situação extrema e faz reflexões sobre classes sociais e segregação, e aos poucos ele vai se tornando cada vez mais extremo e violento. Talvez muitas pessoas possam se decepcionar a resolução de “O Poço”, pois ele muda totalmente seu rumo, de uma distopia que aborda temas sociais, ele se transforma em um filme que está sujeito a várias interpretações com seu final enigmático.

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