A Netflix estreou recentemente o filme francês de ação “Bala Perdida” (Balle Perdue). Desde sua estreia, o filme figura no top 10 da plataforma de streaming no Brasil. O diretor da produção, Guillaume Pierret, é o estreante na direção de longas-metragens. Já o roteiro é do próprio cineasta em parceria com Alban Lenoir e Kamel Guemra.

A modesta produção francesa é uma boa surpresa, na seara dos filmes de ação. Ao mesmo tempo em que tem um roteiro dos mais genéricos, é enxuto e não cansa o espectador com barrigas. Sua estrutura narrativa é conduzida sem apresentar (muitos) exageros comuns a este tipo de produção e conduz a um clímax convincente, dando-se ao luxo de até mesmo ter um epílogo, que dá uma leve insinuada de que possa vir uma próxima aventura.

Honestidade

O filme de Guillaume Pierret é extremamente sincero em sua proposta. Desde o momento que o espectador lê sua sinopse, ele já estará avisado de que se trata de um filme de ação que talvez tenha um flerte com o absurdo, pois sua referência mais imediata seria a franquia estadunidense de sucesso "Velozes & Furiosos".

A trama

O filme conta a história de Lino (Alban Lenoir), um mecânico extremamente talentoso que é preso depois de ser pego em um plano fracassado para roubar uma joalheria. Ele então é recrutado pelo policial Charas (Ramzy Bedia), que quer melhorar sua frota de carros da divisão anti-narcóticos que chefia no sul da França.

O filme logo em sua abertura reforça o convite ao absurdo com a sequência do assalto fracassado.

Ainda no primeiro ato, “Bala Perdida” mostra uma perseguição policial, já com as viaturas da polícia que foram tunadas por Lino, o desfecho desta sequência é extremamente violento, o que serve para mostrar quem são os vilões da trama.

Atuação

O foco do filme está menos na atuação de seus atores e mais na trama e nas cenas de ação.

De qualquer maneira, o filme, na medida do aceitável, consegue construir conexão entre os personagens. É verossímil a relação de amizade entre o protagonista Lino e o policial Charas.

A primeira impressão é a que fica

Nem sempre esta afirmação é verdadeira. Como anteriormente, a primeira referência que vem à mente com a produção francesa é a franquia protagonizada por Vin Diesel.

Mas tirando as semelhanças óbvias, o filme bebe mais na fonte da franquia "Jason Bourne" do que em "Velozes e Furiosos".

As coreografias de lutas são similares ao que foi visto ao longo de toda a franquia Jason Bourne e seus derivados, “O Legado Bourne” e a série da Amazon “Treadstone”. Mas em “Bala Perdida” são feitas sem o mesmo apuro técnico, o que acaba fazendo com que não passe de uma mera cópia mal feita. Melhor exemplo disso é a inverossímil sequência na delegacia, em que o protagonista consegue vencer uma dezena de policiais.

A influência da franquia protagonizada por Matt Damon volta com vigor no ato final, em que há uma perseguição de carros, outro elemento tradicional no universo cinematográfico de Jason Bourne, e novamente aqui, a referência é explícita e mal realizada tecnicamente, mas não a ponto de ficar risível.

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