Estreou na quarta-feira (24), na Netflix, a produção chilena “Ninguém Sabe que Estou Aqui”. O drama foi dirigido pelo estreante Gaspar Antillo, que saiu laureado no Festival de Tribeca como realizador revelação. O roteiro é do próprio Antillo junto com Enrique Videla e Josefina Fernandez.

O filme tem no elenco: Jorge Garcia, Millaray Lobos, Luis Gnecco, Solange Lackington, Nelson Brodt; Juan Falcón, Julio Fuentes, Alejandro Goic, María Paz Grandjean, Gastón Pauls, Eduardo Paxeco e Roberto Vander. A produção é de Pablo Larraín, que dirigiu “No” e “Tony Manero” e foi o produtor de “Uma Mulher Fantástica’.

O protagonista do longa-metragem ficou conhecido mundialmente pelo seu personagem Hurley, da série “Lost”. Assim como seu personagem mais conhecido, Garcia novamente dá tons introspectivos ao personagem Mimo de “Ninguém Sabe Que Estou Aqui”. Na produção chilena a introspecção do protagonista vem acompanhada de aspectos mais dramáticos.

A trama

Mimo é um homem amargurado com seu passado, ele foi um ex-cantor mirim de grande sucesso que teve sua carreira interrompida por causa de uma prática nada ética que vez ou outra é encontrada no meio musical. Passados vinte e cinco anos dos eventos ocorridos na infância, ele se tornou um homem recluso que decidiu se isolar do mundo.

O filme acompanha a vida do amargurado protagonista que, isolado de todos, tem a companhia apenas de seu tio, que apesar de compreender o drama de Mimo, sempre o incentiva a sair da ilha afastada em que os dois vivem para conhecer mais pessoas.

E assim o diretor conduz a história de maneira melancólica e fazendo uso de muitos silêncios e imagens simbólicas. Em boa parte do tempo a câmera acompanha o melancólico Mimo de uma maneira que parece querer transportar o espectador para dentro da ação.

O drama do personagem não é contado de forma apressada.

Aos poucos a trama revela ao público a história da criança que teve sua voz roubada e, por causa disso, tornou-se um homem amargurado e solitário.

Mesmo que as informações básicas sobre os acontecimentos que mudaram a vida do protagonista para sempre sejam entregues logo em seus vinte minutos iniciais, o filme ainda guarda surpresas que ajudam a entender o drama de Mimo.

Mimo não se conforma com o que aconteceu no passado e construiu para si um mundo particular, no qual ele consegue ser a estrela que não conseguiu ser na vida real. Assim ele vai levando sua vida, entre o trabalho como criador de ovelhas junto com o tio e as fugas para o mundo dos sonhos.

A história passada no meio musical acontece no Chile, mas tem um caráter global, e vai fazer o público lembrar de fatos parecidos na vida real. Apesar de haver uma crítica ao mundo artístico e à mídia que muitas vezes está mais preocupada com a audiência do que com a verdade, o filme de Gaspar Antillo nunca deixa de mostrar que está mais interessado na complexidade do personagem principal.

As coisas mudam na vida Mimo quando ele é descoberto pelo mundo exterior, e isto faz com que ele tenha que encarar seus fantasmas do passado.

Até mesmo nesta hora, que pode ser considerado o clímax do filme, a produção não perde o seu caráter onírico, com um final que pode deixar dúvidas se o que aconteceu foi real, ou se não passou apenas de uma construção da mente de Mimo.

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