Estreou na sexta-feira (17) na Netflix a série nacional “Boca a Boca”. São seis episódios com 45 m em média. A produção é uma criação de Esmir Filho e é protagonizada pelos atores Caio Horowicz, Iza Moreira e Michel Joelsas. O elenco conta ainda com Denise Fraga, Thomás Aquino, Luana Nastas, Esther Tinman, Kevin Vechiatto, Grace Passô, Bianca Byngton, Bruno Garcia, Flávio Tolezan e outros.

A produção é uma parceria da Netflix com a Gullane Entretenimento S.A., dos irmãos Caio e Fabiano Gullane, a produtora Fetiche é coprodutora da série. Os irmãos Gullane são os produtores da obra ao lado de Esmir Filho, Thereza Menezes e Fernando Sapelli.

A produção executiva é de Esmir, os Guillane, Thereza Menezes, Fernando Sapelli, Ana Saito e Flávia Lopes.

O desenvolvimento e o roteiro ficaram a cargo de Esmir Filho, Juliana Rojas, Thais Guisasola, Jaqueline Souza e Marcelo Marchi. A redação e direção gerais são de Esmir Filho. O criador da série divide a direção dos episódios com Juliana Rojas.

Uma obra pode assumir diferentes significados dependendo do período que ela for vista. Esmir Filho já havia escrito, produzido e gravado a nova série brasileira da Netflix antes da pandemia do novo coronavírus. O cineasta, conhecido pelo filme "Os Famosos e os Duendes da Morte", teve a ideia da série há dois anos e levou algo em torno de 15 meses para produzi-lá.

Apesar da importância da infecção, ela é apenas um ponto de partida para a trama.

Do que se trata

Na criação de Esmir, na fictícia cidade do interior do Brasil chamada Progresso, ocorre uma epidemia causada por uma infecção contagiosa provocada pelo beijo. O nome da cidade é uma clara ironia com a situação que é mostrada na trama, uma juventude conectada que tem que viver em uma pequena cidade conservadora.

Logo em seu primeiro episódio ocorre uma festa dos adolescentes, aparece a primeira pessoa infectada com a doença, e logo mostra os primeiros sintomas nos infectados e sua rápida disseminação. A trama é centrada em Alex (Caio Horowicz), filho do maior fazendeiro da cidade, personagem de Bruno Garcia.

O jovem vive um conflito em sua casa pois seus pais não aceitam sua opção de ser vegano. Alex então busca refúgio na internet.

Fran (Iza Moreira) é filha de Dalva (Grace Passô), uma funcionária da fazenda do pai de Alex. Mãe e filha estão correndo o risco de serem mandadas embora da fazenda, pois Dalva está muito doente e não apresenta mais condições de trabalhar.

A situação vivida por Fran e sua mãe leva a reflexões sobre o capitalismo selvagem demonstrado pelo empresário – o personagem que ganha mais destaque na trama quando é revelado outro arco na série – a insensibilidade demonstrada pelo fazendeiro contribui para complicar ainda mais a relação que ele tem com seu filho.

Chico (Michel Joelsas) completa o trio de protagonistas.

Ele é um rapaz que veio da cidade grande que foi morar com o pai, um religioso que irá ter dificuldades para aceitar a orientação sexual de seu filho. Além do drama familiar, Chico terá que enfrentar o conservadorismo da cidade que em boa parte o rejeita somente pelo fato dele vir de fora da comunidade.

O primeiro episódio de “Boca a Boca” dá o tom do que será visto nos episódios seguintes, uma trilha sonora com muita música eletrônica, uma escolha por uma fotografia mais fria e o uso, por vezes exagerado, de recursos visuais psicodélicos.

Como dito anteriormente, a estranha doença é usada como um pano de fundo para falar sobre relações familiares, aceitação, crítica social. Não ficou de fora da trama uma reflexão sobre ao quão fútil e cruel as redes sociais podem ser.

Desta maneira, pode-se até enxergar certa influência da icônica série “Black Mirror”, assim como também pode ser visto influência em produções sobre zumbis. “Boca a Boca” apresenta boas reflexões sobre temas atuais, embora em alguns momentos ela exagera nos simbolismos e possa ser considerada um pouco panfletária na questão de orientação sexual. Mas de qualquer maneira é uma série interessante, classificação etária 18 anos.

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