Na sexta-feira (22), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) protagonizou mais um episódio da sua saga de negacionismo da ciência ao, uma vez mais, mostrar todo o seu ressentimento com a liberação da CoronaVac. Diversas pessoas que aceitaram a difícil tarefa de tentar encontrar uma lógica no pensamento do presidente Jair Bolsonaro costumam dizer que o atual ocupante do Palácio da Alvorada, está eternamente em campanha eleitoral.

Onde tudo começou

A ojeriza de Bolsonaro pelo imunizante CoronaVac é facilmente explicada. O mandatário trava uma guerra pela presidência da República em 2022 contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Doria, um aliado de primeira hora do então candidato a presidente Jair Bolsonaro, basta lembrar do slogan “BolsoDoria”, caiu em desgraça com Jair Bolsonaro quando escancarou para todo o país seu desejo de se tornar presidente da República em 2022, e desde então o outrora aliado virou inimigo.

CoronaVac

O governador de São Paulo se dedicou incansavelmente em tratativas para viabilizar a CoronaVac, uma vacina desenvolvida em parceria entre a farmacêutica Sinovac, da China, e o Instituto Butantan de São Paulo. Bolsonaro, por sua vez, sempre foi contrário ao imunizante com colaboração do país asiático e preferiu apostar todas as suas fichas em medicamentos sem eficácia científica comprovada, como a hidroxicloroquina, ivermectina e outras excentricidades.

Ao mesmo tempo em que atuava como garoto-propaganda da cloroquina, Bolsonaro nunca deixou escapar uma chance de provocar o rival Doria. O presidente da República e seus apoiadores fizeram todo tipo de críticas ao tucano e não pouparam fake news sobre a CoronaVac.

Para não ser injusto com o marido de Michelle Bolsonaro, além de querer que a população brasileira fosse tratada da Covid-19 com cloroquina, remédio com possíveis efeitos colaterais graves, Bolsonaro também apostou em uma vacina, no caso a da Universidade de Oxford e da farmacêutica AstraZeneca, desenvolvida no país em parceria com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Depois de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ter aprovado o uso emergencial da CoronaVac no último domingo (17), o governador João Doria fez um evento simbólico no mesmo dia para imunizar a primeira pessoa no Brasil com a vacina.

A resposta do Governo federal veio no pronunciamento de um enciumado ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que não se conformou com o evento realizado por Doria e o acusou de ser um marqueteiro.

E assim, como em um passe de mágica, a CoronaVac que foi chamada de “vacina do Doria”, “vachina”, como muitos bolsonaristas se referiam ao imunizante, tornou-se a “vacina do Brasil” para o Palácio do Planalto.

No dia seguinte à cerimônia em que Doria vacinou a primeira cidadã no Brasil, um apático Jair Bolsonaro se pronunciou sobre a vacina para dizer que a CoronaVac não era de nenhum governador, e sim do Brasil.

Mau perdedor

Mesmo passado quase uma semana do evento de Doria, Bolsonaro dá mostras de que ainda sente o golpe. O mandatário, como um garoto mimado que não aceita a derrota, nesta sexta-feira (22) voltou a duvidar da eficácia da CoronaVac. Bolsonaro afirmou que não existe nada comprovado pela ciência sobre “essa vacina aí”, sem citar a CoronaVac, sendo que, até o momento, o Brasil só possui este imunizante.

A afirmação de Bolsonaro é uma fake news, visto que a CoronaVac teve seu uso emergencial aprovado pela Anvisa, o que opiniquer dizer que a vacina possui segurança e eficácia para ser utilizada de forma emergencial.

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