O Jornal Nacional da Rede Globo, no último sábado (16), apresentou uma matéria em que mostrava o quão contraditórias são as atitudes do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), em relação à Coronavac. Atualmente, o Ministério da Saúde demonstrou um interesse urgente pelos estoques do imunizante Coronavac, o que contrasta com tudo o que o chefe do Executivo havia declarado sobre a vacina nos últimos três meses.

Por diversas vezes, Bolsonaro deixou claro seu desprezo pela vacina CoronaVac. No dia 20 de outubro de 2020, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, divulgou o protocolo de intenções de compra de 46 milhões de doses do imunizante, com comunicado realizado em uma reunião com governadores por videoconferência.

Mas a decisão de Pazuello não durou nem 24 horas, pois no dia seguinte Bolsonaro, em conversa com seus apoiadores, desautorizou seu ministro da Saúde e ordenou que fosse cancelado o protocolo de intenções de compra da vacina.

Não satisfeito em humilhar publicamente seu ministro da Saúde, o mandatário foi em uma rede social para chamar a Coronavac de “vacina chinesa de João Doria”, e ainda escreveu em tom de campanha eleitoral, que os brasileiros não seriam usados como cobaias por ninguém, e assegurou que não iria adquirir o imunizante, bravateou.

Neste mesmo dia, durante um evento realizado no interior de São Paulo, o ocupante do Palácio da Alvorada voltou a falar sobre o tema. Ele disse que ele era quem mandava, que era ele o presidente e que não abria mão de sua autoridade, se autoafirmou Bolsonaro.

Acusou o golpe

No dia seguinte, o presidente realizou uma live em que estava presente o ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que sinalizou que não iria fazer como seus antecessores no cargo, e se insubordinar contra as decisões autoritárias do chefe do Executivo. Pazuello justificou sua postura subserviente dizendo que: “um manda e o outro obedece", disse o general.

Insensibilidade

Um dos episódios mais lamentáveis da disputa política que Bolsonaro trava contra o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), foi quando a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) suspendeu temporariamente os testes da Coronavac por causa do falecimento de um voluntário. Bolsonaro foi às redes sociais para comemorar a tragédia, afirmando que teria ganhado mais uma batalha.

O voluntário na verdade havia tirado a própria vida, e sua morte não teve nenhuma relação com a vacina, e o Instituto Butantan retomou os testes. O renomado instituto é o responsável pela fabricação da vacina em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Além da Sinovac, o Brasil também estuda a possibilidade de usar a vacina Oxford/AstraZeneca, que está sendo desenvolvida pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Se elas forem aprovadas pela Anvisa, poderão ser utilizadas no Programa Nacional de Imunização (PNI), que tem previsão para ser iniciado na próxima quarta-feira (20). João Doria chegou até mesmo a marcar o início da vacinação em São Paulo para o dia 25 de janeiro.

Somente depois que os governadores pressionaram, é que o Ministério da Saúde concordou com a utilização da Coronavac, outrora desautorizado pelo presidente.

Pazuello foi quem confirmou que a Coronavac será incluída no PNI.

Deboche

Na última quarta-feira (13), em uma conversa com apoiadores na entrada do Palácio da Alvorada, Jair Bolsonaro ironizou a eficácia da CoronaVac que o Instituto Butantan anunciou: “Essa de 50% é uma boa?". No comunicado sobre a taxa geral de eficácia da CoronaVac, o Instituto Butantan afirmou que a CoronaVac atingiu 50,38%, percentual acima do limite mínimo estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Anvisa.

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