Uma das medidas mais polêmicas e debatidas no Governo de Jair Bolsonaro é a liberação massiva de agrotóxicos. Até 14 de maio já foram liberados 169 produtos, o maior ritmo de liberação registrado pelo Ministério da Agricultura, que divulga números desde 2005. Nos últimos quatro anos, a quantidade de pesticidas registrados vem aumentando de forma significativa, mas os números de 2019 já superam o total de 2015.

Alguns destes produtos são proibidos, por exemplo, na União Europeia e nos Estados Unidos, podendo até afetar a economia do país, já que alguns países, como a Rússia, não compram produtos com excesso de agrotóxicos. Entre as substâncias proibidas está o glifosato, um herbicida muito utilizado no Brasil.

Uma das maiores preocupações fica por conta da saúde da população. Ativistas alegam que esses coquetéis podem gerar malformação fetal, disfunções hormonais e até mesmo câncer.

Enquanto o governo e a indústria alegam que alguns produtos são genéricos, já vinham sendo utilizados anteriormente e são seguros, desde que utilizados corretamente.

Nos Estados Unidos, a empresa Bayer, uma das mais populares do ramo de medicamentos e venenos, tem acumulado processos. Estima-se que a empresa responda por pelo menos oito mil. A empresa chegou a ser condenada a pagar uma indenização de US$ 250 milhões a um ex-jardineiro que contraiu câncer, valor que depois foi reduzido para US$ 39,25 milhões.

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Em outro processo, a empresa foi condenada a pagar U$$ 80 milhões a outro cidadão que também alega ter contraído câncer devido à exposição ao produto RoundUp. Os cidadãos alegam não terem sido informados sobre os possíveis malefícios que o produto poderia causar.

Dezenas de tipos de agrotóxicos na água da população

Algumas empresas de abastecimento detectaram, através de coletas e análises realizadas entre 2014 e 2017, a presença de 27 tipos de agrotóxicos na água que sai da torneira da maioria das cidades do Paraná.

O estado só perde para São Paulo, onde 504 cidades apresentam casos semelhantes.

A maior parte dos venenos foi encontrada na região norte, em cidades como Londrina e Maringá. Estima-se que, pelo menos, 326 dos 399 municípios do estado apresentam agrotóxicos na água, o que representa 81,7% dos municípios. De acordo com o Sisagua, entre os anos de 2007 a 2014 foram notificados cerca de 40 mil casos de intoxicação, resultando na morte de 1900 pessoas.

No último dia 22 de abril, o deputado estadual Goura (PDT-PR) discursou sobre o tema no Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná, lembrando dos perigos que essas substâncias podem causar, mesmo que a longo prazo. “Neste copo de água, deputados, são encontrados 27 tipos de agrotóxicos. Isto porque, entre os mais de 300 produtos permitidos no Brasil, apenas 27 são testados”, disse o deputado. Desta forma, o deputado confronta os ruralistas, que possuem forte influência na política do estado, com representantes até mesmo no Congresso Nacional, como Luiz Nishimori (PR) e Sérgio Souza (MDB), nomes próximos ao presidente Jair Bolsonaro.

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