Paulo César Manoel, de 40 anos, principal suspeito de matar a estudante Rafaela de Campos, no último domingo (26), em Sorocaba, no interior de SP, havia sido beneficiado com a saída temporáia de Dia das Mães no último final de semana. Como os presos beneficiados pela "saidinha" são liberados de maneira escalonada, ele saiu do sistema prisional no último dia 24, 12 dias depois do Dia das Mães.

Ele cumpre pena por estupro na Penitenciária Antonio Souza Neto (PII), no bairro Aparecidinha, em Sorocaba. Ele já passou por diversos presídios, antes de chegar à cidade, onde seguia cumprindo pena no regime semiaberto.

Depois de já ter sido beneficiado com a saidinha de Páscoa, por apresentar bom comportamento, Paulo César também foi beneficiado com a saidinha do Dia das Mães.

De acordo com o delegado seccional de Polícia Marcelo Carriel, que investiga o caso, o detento não retornou ao presídio na última segunda-feira (27), como estava previsto, e na manhã daquele dia arrebentou a tornozeleira que usava e desapareceu.

No final da tarde desta quinta-feira (30), durante uma operação policial de rotina na Vila Maria, zona norte da capital paulista, ele foi abordado por policiais, que após efetuarem uma pesquisa no sistema constataram que ele era foragido do sistema prisional. Ele foi detido e encaminhado à delegacia.

Câmeras de segurança ajudaram a identificar o suspeito

Fazendo o rastreamento da tornozeleira e de posse de imagens de câmeras de vídeo, monitoramento de tráfego e do comércio da região, a polícia conseguiu chegar até Paulo César. Uma das gravações mostra o acusado conduzindo a estudante pelo braço, às margens do Rio Sorocaba, próximo ao local onde ela foi achada morta.

A polícia tem tratado o caso como latrocínio, roubo seguido de morte, uma vez que objetos pessoais da estudante foram roubados. No entanto, também trabalha-se com a hipótese de que o suspeito teria a intenção de praticar um crime sexual –pelo qual já cumpria pena. Rafaela então teria lutado com ele, ficado desacordada e teria sido jogada no rio. Um laudo da polícia revelou que a estudante morreu afogada.

O corpo de Rafaela foi encontrado na tarde de segunda-feira (27) por pedestres que passavam às margens do rio e avisaram os bombeiros.

Delegado protesta contra circunstâncias do benefício

O delegado Marcelo Carriel protestou contra a circunstância do benefício concedido ao investigado –a saidinha do Dia das Mães– e o crime que vitimou a estudante. Ele questiona como uma pessoa com essa ficha criminal pode estar na rua, classificou esse tipo de situação como revoltante e disse que o processo penal precisa mudar no Brasil. “Fica difícil desse jeito", disse o delegado.

De acordo com Carriel, somados todos os crimes pelos quais o suspeito já foi condenado, chega-se a 25 anos de prisão, fora os processos que ele ainda está respondendo. Ele também disse que esse tipo de situação precisa ser repensado.

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