Após 37 anos da morte da mãe, seis irmãos descobriram toda a verdade nesta semana: ela havia sido assassinada pelo próprio marido, hoje com 78 anos. Eles procuraram a delegacia de Lucas do Rio Verde, cidade que fica a 360 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso, para denunciar o crime.

O caso aconteceu em janeiro de 1982 e desde então o homem, hoje casado com uma segunda mulher, havia dito que a esposa fora morta durante um assalto, versão que não convenceu os filhos, que nos últimos meses passaram a investigar o caso.

Após questionar o pai no último final de semana, ele finalmente confessou e deu detalhes de como cometeu o crime, sem demostrar remorso algum, segundo os filhos. “Ele confessou três vezes sem derramar uma lágrima”, disseram os familiares.

O crime

Pierina Carroro foi morta no dia 25 de janeiro de 1982, durante uma viagem do casal. Na época, o pai contou para os sete filhos (um deles já falecido), que tinham entre 7 e 19 anos, que a mãe havia sido morta em um assalto.

Passaram-se os anos e os filhos nunca se convenceram da versão dada pelo pai, uma vez que vizinhos afirmavam que ela havia sido assassinada pelo próprio marido e a história do assalto era falsa.

Nos últimos três meses levantaram documentos, entrevistaram autoridades, vizinhos e enfermeiras. Todo o material foi entregue na terça-feira ao delegado Daniel Nery. De acordo com o delegado, por se tratar de um crime de homicídio, o caso prescreveu e o homem não poderá ser indiciado, uma vez que não houve ocultação de cadáver.

No entanto, o caso será encaminhado para a Polícia Civil de Santa Catarina, estado onde ocorreu o crime, que decidirá ser abrirá investigação.

Mesmo sem a possibilidade de o pai pagar pelo crime na prisão, os familiares dizem que estão aliviados. “Ficamos aliviados, só queríamos a verdade e esclarecer o que aconteceu”, disseram.

Homem simulou assalto

O caso começou quando a Pierina Carroro descobriu que o marido mantinha um caso extraconjugal com uma das empregadas da casa e pediu o divórcio. Segundo o acusado, uma separação não seria bem vista pela sociedade na época, e por isso ele decidiu matá-la.

De acordo com os filhos, ele mantinha um caso com a empregada há dois anos. O pai teria passado a chantagear a mulher, que então revelou a traição para vizinhos e parentes.

Para poder cometer o crime sem levantar suspeitas, ele decidiu fazer uma viagem sozinho de carro com a mulher para a cidade de São Carlos, em Santa Catarina. Eles saíram durante a madrugada e no caminho ele simulou que o pneu havia furado.

Após encostar o carro, ele acertou a cabeça da vítima com uma pedra e depois a arrastou até o acostamento onde deu um tiro em seu peito e deixou o local logo em seguida, abandonando o corpo.

Para sustentar a versão do assalto, ele ainda jogou a pedra no para-brisa do carro.

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