Roberto Alvim, secretário de Cultura do Governo Bolsonaro, protagonizou bate boca durante a Conferência Internacional das Línguas Portuguesa e Espanhola, evento realizado em Lisboa. No evento ocorrido no dia 22, um dos palestrantes ali presente declarou que o presidente Jair Bolsonaro teria censurado Caetano Veloso.

Ramiro Noriega, da Universidade das Artes do Equador, foi o autor da frase que foi dita após os organizadores da conferência colocar uma canção de Caetano na abertura do debate. "Temos de lembrar que Bolsonaro censurou Caetano", a frase provocou risada nos presentes.

Anteriormente

No dia 4 de novembro, Caetano Veloso compareceu ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 4 de novembro, o cantor e compositor baiano participou de audiência pública com a ministra Carmen Lúcia, ele se posicionou contra o decreto de Jair Bolsonaro que, segundo Caetano, poderia ser entendido com um primeiro passo para a censura na produção audiovisual brasileira.

Enquanto Ramiro Noriega falava, Roberto Alvim o interrompeu e gritou da platéia que aquela declaração não era verdadeira, mais adiante, Alvim esteve novamente com a palavra, agora no palco do evento.

Chamou a atenção dos organizadores do evento a agressividade do secretário de Cultura brasileiro.

Para defender seu ponto de vista, Roberto Alvim disse que não queria estragar o evento e disse que iria engulir o que havia dito se fosse provado o que fora dito contra Bolsonaro, caso contrário, ele afirmaria que o autor da acusação seria um “mentiroso” e um “canalha”, atacou o Roberto Alvim.

Após sua fala, Alvim começou a ser vaiado por parte dos presentes na platéia, Alvim então tentou defender-se dizendo que não havia atacado ninguém que se referiu a Noriega como “sujeito”.

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Jair Bolsonaro Governo

Exaltado, o brasileiro então começou a atacar as esquerdas, a seguir ele foi interpelado por um participante do evento e respondeu a esta pessoa: "Bom senso tenha você”, vociferou Alvim.

E o secretário de Cultura continuou sua fala tentando defender o governo Bolsonaro, afirmando que o governo, depois de duas décadas de destruição da Cultura, e também da Educação, está empenhado em seu trabalho. Ele também atacou o “politicamente correto” em sua fala, que foi encerrada sem receber aplausos. Após Alvim, quem falou foi Nélida Piñon.

Repeteco

Esse foi o segundo evento em que Alvim chamou a atenção internacional por sua maneira de se expressar, em evento ocorrido na terça-feira na Unesco, em Paris, o brasileiro atacou a arte brasileiro dos últimos 20 anos. O recém conduzido ao cargo de secretário de Cultura, alegou que a cultura teria se transformado em um projeto de perpetuação do poder, engendrado pela esquerda.

A fala de Alvim causou estranhamento em outros ministros que ali se encontravam, muitos deles trocaram sorrisos e se entreolhavam de maneira preocupante, incluindo entre os ministros que ficaram sem entender nada do que estava acontecendo, uma ministra da Costa Rica que estava ao lado do brasileiro.

Porém foi o ministro da Suíça, Alain Berset, que, de maneira discreta, reagiu à fala do secretário do Brasil. Ao terminar seu discurso sobre a política cultural de seu país, Berset afirmou que tomaria a liberdade de comentar a fala do brasileiro, ele aconselhou ao secretário de Cultura do Brasil para não ser tão duro com o próprio país e ressaltou que o Brasil é admirado por todos, Berset foi o presidente da Suíca em 2018.

Se entre autoridades de outros países Roberto Alvim está causando espanto por suas declarações polêmicas, o mesmo parece não estar acontecendo dentro do governo Bolsonaro, Alvim recebeu congratulações por seus discursos agressivos com teor religioso e ataques contra a esquerda, chegando até mesmo a receber telefonemas de autoridades o felicitando por seu tom belicoso.

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