Na última quinta-feira (19), a Justiça negou o pedido de liminar que pedia para que o especial de Natal do Porta dos Fundos, “A Última Tentação de Cristo”, fosse retirado da Netflix. De acordo com a juíza Adriana Sucena Monteiro Jara Moura, não existem razões para que o filme seja retirado do serviço de streaming.

Esta é mais uma das decisões que foi tomada sobre o caso nos últimos dias, tanto no Rio de Janeiro quanto em São Paulo, a juíza declarou que a decisão que fora tomada seria “inequivocamente censura decretada pelo Poder Judiciário”.

Adriana Sucena citou os artigos 5 e 220 da Constituição Federal.

Esses artigos tratam sobre a liberdade de expressão. Ela diz ainda que “juiz não é crítico de arte” e que não encontrou no caso algo que possa ser considerado crime contra a religião, violação de direitos humanos, incitação ao ódio ou ainda, discriminação.

A juíza considerou como elemento essencial em sua decisão o fato de o filme estar sendo exibido na plataforma de streaming Netflix, para os assinantes da empresa, e não está sendo exibido em local público que possa ser assistido por quem não deseja este tipo de conteúdo.

Não havendo exposição de seu conteúdo, a não ser para aqueles que desejam assistir à obra, a juíza entendeu que deve ser assegurada a liberdade de escolha de cada pessoa de assistir ou não ao especial natalino do grupo de humor e ainda cabe a cada um o desejo de permanecer ou não assinante da plataforma.

A magistrada ressalta que sua decisão se limita ao pedido de liminar sobre a proibição da obra e não diz respeito à analise de indenização por dano moral coletivo.

Enquanto isso...

O grupo de humor Porta dos Fundos por sua vez decidiu acirrar mais ainda os ânimos nesta batalha que tem como objetivo retirar o especial natalino "A Última Tentação de Cristo" da Netflix.

O grupo lançou na sexta-feira (20), em seu canal no YouTube, mais um vídeo em que apresentava um Jesus homossexual em um vídeo.

O vídeo fazia uma clara alusão à polêmica em que os humoristas estão envolvidos. O Jesus, interpretado por Gregório Duvivier, pede ajuda a um padre dizendo que nada pode fazer contra comediantes, que precisa de ajuda de padres e pastores para que o defendam.

O padre tenta convencer Jesus que existem coisas mais importantes para se preocupar, como problemas com refugiados na Síria, fome na África, mas Jesus se mostra irredutível e diz que o problema prioritário do mundo são piadas. “Vamos uma coisa de cada vez”, disse Jesus.

Jesus do bem vs. Jesus do mal

Vale ressaltar que o especial de Natal do grupo de humor do ano passado, “Se Beber Não Ceie”, mostrava um Jesus Cristo mais agressivo, mau-caráter e que estava disposto até mesmo a matar e a trama se passava em meio a uma ceia em que havia relações sexuais e drogas ilícitas. Enquanto que o Jesus de "A Primeira Tentação de Cristo" apresenta um Cristo mais positivo, que depois de descobrir ser filho de Deus, propõe resolver as coisas de uma maneira pacífica, diferente do jeito arbitrário e vingativo que o personagem Deus no filme quer fazer as coisas.

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