O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, não compareceu às coletivas de imprensa realizadas nesta segunda-feira (13) no Palácio do Planalto para debater a situação da pandemia do novo coronavírus no Brasil, ainda que a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social) tivesse colocado o ministro entre os possíveis participantes horas antes.

A ausência de Mandetta aconteceu um dia depois ele ter dado uma entrevista ao "Fantástico", da Rede Globo, em que afirmou que espera que haja "uma fala unificada e o fim da dubiedade" entre as orientações que são passadas pela sua pasta e as orientações do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) no que diz respeito às medidas de combate à expansão da Covid-19.

Na primeira coletiva, estiveram presentes apenas ministros, compareceram apenas Damares Alves, ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, e Sergio Moro, ministro da Justiça e Segurança Pública. Eles foram os únicos que foram debater novas estratégias adotadas pelo Governo.

Sobre a coletiva com os ministros, a Secom havia afirmado que Braga Neto, ministro da Casa Civil e André Mendonça, ministro da Advocacia-Geral da União, deveriam ter participado, porém, os dois também desfalcaram o encontro.

A outra coletiva programada era para divulgar informações técnicas do ministério da Saúde, em que seriam divulgadas as informações mais recentes sobre a pandemia no Brasil. Esta coletiva contou com a participação apenas dos secretários de Luiz Henrique Mandetta.

Explicações

Na abertura da reunião, João Gabbardo dos Reis, secretário-executivo, antecipando-se aos jornalistas, explicou por que o chefe da pasta não estava presente. Ele afirmou que Mandetta pediu para que seus secretários iniciassem a reunião, pois ele estaria em outro compromisso e se conseguisse chegar a tempo, ele iria participar da coletiva, afirmou o secretário-executivo.

Mas, o ministro acabou não aparecendo.

Globo

Na entrevista para a Rede Globo, no domingo (12), Mandetta disse que espera que haja um alinhamento entre as falas do Ministério da Saúde e as do presidente da República, pois isto leva uma dubiedade para os cidadãos, que não sabem se escutam o ministro da Saúde ou se escutam o presidente, lamentou ele.

Mandetta usou um tom mais comedido em comparação com o usado por ele no início da pandemia, o ministro também voltou a defender que a população fique em casa, recomendação contrária a de Bolsonaro.

Mesmo assim, Mandetta disse que o governo federal precisa adotar uma fala unificada para o povo brasileiro.

Na manhã desta segunda-feira (13), o presidente afirmou que "não assiste à TV Globo", uma forma de evitar comentar sobre a entrevista de seu subordinado no "Fantástico". Como costuma fazer diariamente, Jair Bolsonaro parou para conversar com seus apoiadores e foi logo perguntado sobre as declarações de Mandetta, claramente irritado, ele respondeu que não iria ser agora que iria começar a assistir à Globo.

A relação conflituosa de Bolsonaro com a emissora, e com a imprensa em geral, é notória. Jair Bolsonaro acusa vários veículos de comunicação de o perseguirem. Quando terminou a conversa com seus apoiadores, o líder do Executivo evitou falar com os jornalistas que esperavam por ele na entrada do Palácio da Alvorada.

Mas mesmo à distância, ele ouviu questionamentos sobre a situação de seu ministro da Saúde após a entrevista deste ao "Fantástico". Ele respondeu novamente que não assiste à emissora da família Marinho, para em seguida entrar no carro oficial e ordenou que o comboio deixasse a residência oficial da presidência e rumasse para o Palácio do Planalto.

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