O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) negou a volta do auxílio emergencial em pronunciamento na entrada do Palácio da Alvorada, nesta segunda-feira (25), ao ser questionado sobre o assunto por um apoiador.

Alegando que o auxílio não é uma aposentadoria, e encerrando o diálogo com um "satisfeito aí?", o chefe do Executivo diz que só conversa essa assunto com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e que não existe dinheiro no Orçamento para prover a medida.

Bolsonaro lamentou que exista neste momento muitas pessoas em dificuldade, devido aos problemas sociais e econômicos oriundos do coronavírus, mas reafirmou que a capacidade de endividamento do Governo estaria no limite.

Fim do auxílio emergencial gera queda na popularidade do presidente

Bolsonaro sabe que sofreu uma queda de popularidade nas últimas semanas, e o fim do auxílio emergencial seria um dos fatores que estariam desapontando seu eleitorado. Mas isso não tem feito com que mude de ideia, apostando apenas, em termos de benefício social, na ampliação do Bolsa Família, que deve passar por uma reformulação e ter o valor e o público aumentados.

Auxílio emergencial é PEC Emergencial

Mas a opinião de Bolsonaro pode não ser totalmente inflexível. Segundo o jornal Valor Econômico, ele condiciona a volta do auxílio à aprovação da PEC Emergencial, que prevê cortes de gastos correntes do governo sempre que o Orçamento ultrapassar o limite estabelecido pela Regra de Ouro.

A PEC permite, entre outras medidas, a redução de carga horária e do salário de servidores federais e a proibição de criar outras despesas obrigatórias no prazo de dois anos.

O auxílio está fazendo os últimos pagamentos residuais neste mês, a um pequeno grupo de beneficiários. Oficialmente, o benefício acabou no dia 31 de dezembro.

Auxílio emergencial tem proposta no Congresso

De qualquer forma, existe proposta formal no Congresso da volta do benefício, feita pelo deputado Chiquinho Brazão (Avante-RJ), que é da base de apoio do Bolsonaro. O deputado justifica que o auxílio emergencial ajudou a amenizar as dificuldades, o desemprego e o avanço da pobreza devido à pandemia.

Se não fosse o benefício, ainda segundo Brazão, os indicadores de pobreza teriam atingido 36% da população desde o início das contaminações.