A recente pandemia do coronavírus teve início em dezembro de 2019 em Wuhan, na China, e já causou mais de 510 mil infecções e 23,4 mil mortes, contabilizadas em 201 países, de acordo com dados desta sexta-feira (27) da Organização Mundial da Saúde (OMS). A infecção pelo vírus SARS-CoV-2 causa a doença respiratória denominada Covid-19. Alguns testes e experimentos estão em desenvolvimento no Brasil e no mundo para o combate à doença.

Iniciativa reúne diversos países em pesquisas

A OMS lançou no início da semana o Solidarity, uma iniciativa que abrange diversos países para testes e terapias no tratamento da Covid-19, com intuito de encontrar respostas de combate à infecção “o mais rápido possível”, segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em nota divulgada pela instituição.

Vários países aderiram ao projeto. Para Ghebreyesus, quanto mais países apoiarem, mais céleres serão os resultados referentes aos remédios aplicáveis para salvar vidas.

O Solidarity está pesquisando quatro usos terapêuticos: remdesivir; cloriquina e hidrocloriquina; lopinavir e ritonavir; lopinavir, ritonavir e interferon-beta. O Brasil, por meio da Fiocruz, irá investir R$ 4 milhões em pesquisas com medicamentos (cloriquina e hidrocloriquina), em parceria com a OMS.

A cloriquina e a hidrocloriquina têm recebido atenção em diversos países como potencial profilático e de cura, mas há ainda "necessidade de maior evidência”, segundo a OMS. Esses medicamentos são utilizados contra malária.

O remdesivir foi utilizado para tratar Ebola e não teve eficácia para essa doença.

Entretanto, um estudo de 2017 publicado no Science Translational Medicine demonstrou ser o medicamento apto para combater SARS. No início deste mês, um homem de 35 anos nos Estados Unidos, que recebeu remdesivir, se recuperou da Covid-19 logo após o tratamento com o medicamento. O remédio inibe a enzima que permite a replicação do vírus.

Ritonavir e lopinavir são dois componentes que médicos utilizam como terapia antirretroviral para infecções por HIV. Uma pesquisa publicada na Lancet em janeiro sugeriu que a combinação pode ser capaz de combater o SARS-CoV-2. Entretanto, outro estudo do The New England Journal of Medicine no início deste mês coloca em dúvida a efetividade destas drogas para a Covid-19.

Para verificar o potencial de ambos os componentes, um experimento da OMS está testando a combinação deles com o interferon-beta, componente utilizado para tratamento de esclerose múltipla. O experimento, denominado “Milagre”, está testando pacientes com MERS (doença respiratória). Outro teste, realizado no Reino Unido, mas sem ligação com a OMS, também utiliza o interferon-beta.

Vacinas estão sendo testadas

O National Institutes of Health, em Seattle, está analisando o potencial da vacina contra o Sars-CoV-2 em humanos. No experimento, 45 voluntários saudáveis recebem a vacina que contém o segmento do código genético copiado do Sars-Cov-2; como a vacina não contém o Sars-CoV-2 real, prevê-se que os participantes não contraiam Covid-19.

Pode demorar até 18 meses até que a vacina chegue ao mercado, e o principal propósito do estudo é constatar se não haverá nenhum efeito colateral grave. Os Estados Unidos foram o primeiro país a iniciar os testes de vacinas, mas a ação está em andamento na China e também no Brasil, por pesquisadores da Universidade de São Paulo.

Um método antigo pode combater a Covid-19

Médicos podem vir a utilizar um método antigo, conhecido desde 1930, denominado “terapia passiva de anticorpos”, segundo pesquisadores do The Journal of Clinical Investigation.

O método consiste em coletar o sangue da pessoa que teve o vírus e se recuperou. Ao utilizar o “serum”, parte que contém anticorpos que combatem a infecção, estudiosos esperam poder injetá-lo em outra pessoa, para prevenir ou para tratar a doença.

A ideia está em fase de prospecção, de acordo com o professor da Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, em Baltimore, e requer esforço e recursos, além de pessoas que tiveram a doença que possam doar sangue.

Ser infectado pode proteger contra novas infecções

Um estudo envolvendo quatro macacos rhesus avaliou que contrair SARS-CoV-2, o vírus causador da Covid-9, protege contra futuras reinfecções. Os cientistas reinfectaram dois dos quatro macacos 28 dias após a primeira infecção. Os resultados apontaram que a primeira infecção poderia prevenir a segunda, o que tem implicações para o desenvolvimento de vacinas.

De acordo com o professor de Vacinologia da Universidade de Oxford, Martin Bachmann, se uma pessoa contrair Covid-19 e ficar realmente doente, a produção de anticorpos terá efeito duradouro.

Entretanto, se o vírus não se replicar e se não atingir os nódulos linfáticos, pode não haver uma resposta de anticorpos e a pessoa não terá um estado grave da doença.

O próprio sistema imunológico no combate ao vírus

Um novo estudo de caso do periódico Nature Medicine registra o caso de uma paciente de Covid-19 que se recuperou em poucos dias. Ela tem 47 anos e contraiu o vírus em Wuhan, na China. Os pesquisadores examinaram sua resposta imunológica para entender a recuperação.

A professora Katherine Kedzierska, do Departmento de Microbiologia and Immunologia do Doherty Institute, em Melbourne, Austrália, encontrou, junto aos colegas de pesquisa, um crescimento em imunoglobulina G, o tipo mais comum de anticorpo, nas amostras de sangue da mulher diagnosticada.

Além disso, também encontraram crescimento em imunoglobulina M e detectaram um grande número de células imunes. Segundo Kedzierska, o estudo pode ajudar a entender o que acontece em casos fatais.

Medidas de controle de infecção funcionam

Pesquisadores de Hong Kong avaliaram o impacto da Covid-19 em 43 hospitais no país. Nas primeiras seis semanas do início da epidemia, 423 trabalhadores da área de saúde tiveram contato com 42 casos confirmados. Desses, 11 não tinham proteção adequada. Com a implementação de melhores práticas de controle da infecção, nenhum dos profissionais contraiu o vírus durante o período do estudo, nem houve infecção hospitalar.

Medidas como vigilância da higiene das mãos, do uso de máscaras cirúrgicas no hospital e do uso apropriado de equipamento pessoal de proteção no cuidado ao paciente foram consideradas os fatores-chave para impedir que o hospital transmitisse o vírus, segundo o médico Vincent C.

C. Cheng, do Departamento de Microbiologia do Hospital Queen Mary, em Hong Kong.

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