O jornalista Rogério Gentile, da Folha de S.Paulo, divulgou, na tarde desta quinta-feira (16), que a Editora Abril calcula perdas de R$ 100 milhões no faturamento de 2020, em função da covid-19.

A editora entrou na Justiça com o pedido de manutenção dos serviços às concessionárias de água, gás e energia. A solicitação é de 90 dias prorrogáveis por igual período. Nas contas da empresa de comunicação constam perdas de 60% nas campanhas publicitárias e uma inadimplência de 40% por causa de cancelamentos e vendas de assinaturas de revistas tradicionais como a Veja, veículo tradicional e influente na imprensa do Brasil.

A justificativa da editora é o papel de relevância dos veículos de comunicação na difusão de informações em um período sensível, que é a crise do novo coronavírus.

A companhia de fornecimento de gás Comgás tem de receber da editora a importância de R$ 390 mil neste mês. A empresa respondeu que a crise de saúde não pode servir de subterfúgio para o débito.

A Comgás realça que esse tipo de atendimento pode abrir precedentes e, consequentemente, colocar em risco as finanças da companhia. No pedido, consta a prorrogação da dívida com credores da recuperação judicial pelo prazo de noventa dias.

A Justiça negou o pedido da editora. O juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências, salientou que o pedido é inviável.

No entanto, a editora Abril pode recorrer da decisão.

História

A editora Abril foi fundada em 1950 por Victor Civita. Atualmente, publica 15 títulos e tem quase 3 mil funcionários, segundo números de janeiro. A revista Veja é a campeã de circulação da empresa de comunicação.

Em 2019, a maioria dos credores do Grupo Abril aprovaram o plano de recuperação judicial.

Na oportunidade, as dívidas passavam de R$ 1,6 bilhão. Em dezembro do mesmo ano, o BTG Pactual comprou a revista Exame, que faz parte do conglomerado editorial. O leilão foi promovido pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais. O banco comprou o título por R$ 72,3 milhões.

Plataforma

A venda do título, inclusive, é parte do plano de recuperação judicial do grupo.

À época, a Editora Abril classificou como alternativa para mitigar parte das obrigações da empresa. A compra foi uma alternativa do BTG Pactual para criar uma plataforma de informações sobre economia e Negócios, assim como fez a XP Investimentos, que detém o portal Infomoney.

Os credores do Grupo Abril são divididos da seguinte forma: bancos, ex-funcionários, fornecedores e bancos. Os que têm a receber de empresas em dificuldades financeiras, geralmente, abrem mão de parte das dívidas, assim dão fôlego ao negócio em dificuldades financeiras.

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