A crise provocada pelo novo coronavírus atingiu todas as esferas da população, da microempresa à grande corporação. Além de exigir uma reinvenção acelerada da atuação diante dos processos de venda e também do oferecimento de serviços, o novo coronavírus provocou uma recessão que pode vir a se alongar por um longo período.

Essa necessidade de se reinventar, reavaliar e buscar alternativas dentro de um cenário de crise tomou conta dos empresários.

Afinal, o consumo da população caiu, e o que fazer diante desse panorama? O CEO da Crowe Macro, Marcelo Lico, conversou com a Blasting News para esclarecer um pouco do panorama atual e das perspectivas do futuro pós-crise do coronavírus.

O caminho inicial é a reflexão diante do momento atual vivido pela empresa, salienta Marcelo Lico.

"Saber exatamente a situação dos seus ativos financeiros (caixa e recebíveis) e dívidas, considerando parcelar, negociar e alongar ao máximo os compromissos", diz

Além disso, o CEO da Crowe Macro enfatiza a necessidade de que a empresa possua sempre um controle financeiro atualizado. "É fundamental que a empresa possua controles financeiros, como fluxo de caixa e uma contabilidade atualizada", salienta.

Confira a entrevista na íntegra.

Blasting News: Como estão sendo conduzidas as tomadas de decisões da Crowe Macro em meio à pandemia do coronavírus, desde os serviços prestados até o suporte aos colaboradores?

Marcelo Lico: No primeiro momento, em março/20, quando começou a quarentena, estabelecemos como prioridade planejar os trabalhos de forma que 100% dos nossos profissionais mantivessem o atendimento remotamente.

Por outro lado, esta tarefa não foi difícil, na medida em que já havíamos implementado o modelo de home office no início de 2019. Por outro lado, em relação ao atendimento dos nossos clientes, a diretiva foi no sentido de estarmos muito próximos deles, para assessorá-los e orientá-los estrategicamente para se prepararem para o que viria.

Comercialmente, houve muitas negociações de valores com descontos e renegociação de contratos. Mas, efetivamente, não perdemos até agora nenhum cliente em função da crise. Creio que aplicamos a melhor estratégia.

Aproveitando o gancho da pergunta anterior, houve algum tipo de impacto econômico na própria Crowe Macro com a adoção do trabalho home office?

Será uma tendência nos próximos anos dentro da empresa?

Não houve impacto, embora, por incrível que pareça, a comunicação ficou muito mais fácil, mesmo que remotamente, é verdade. As decisões são mais ágeis e precisas. Desde antes da crise, já acreditávamos no modelo de home office. A partir dela, não temos dúvidas.

A Crowe ofereceu algum tipo de guia para esclarecer às empresas sobre como lidar com os efeitos da pandemia? Se sim, como tem sido a recepção dos clientes? Como são observadas, no presente, as atuações com uma possível extensão da quarentena no Brasil?

Como empresa de consultoria empresarial, este é o nosso papel. Fazemos isso diretamente junto aos nossos clientes e também em materiais de orientação específicos, sendo alguns exclusivos sob demanda e outros, em modelo de artigos públicos, conforme divulgado nas redes e mídias sociais.

Na visão da Crowe, qual o maior desafio hoje para as empresas brasileiras? E qual dica vocês acham essencial para o empresário que luta para sobreviver a este período conturbado.

A estratégia da sobrevivência. As dicas são: a) Preservar o máximo possível o seu caixa e, independentemente do crescimento ou queda, buscar manter a rentabilidade do seu negócio. b) Entender bem até onde o seu negócio foi e será afetado pela crise; c) Avaliar como buscar novas formas de geração de receitas, se possível utilizando meios digitais; d) Saber exatamente a situação dos seus ativos financeiros (caixa e recebíveis) e dívidas, considerando parcelar, negociar e alongar ao máximo os compromissos, considerando ainda a utilização de todas as possibilidades de benefícios governamentais; e) Enxugar custos ao máximo; f) Obviamente, que para todas essas ações, é fundamental que a empresa possua controles financeiros, como fluxo de caixa e uma contabilidade atualizada.

Do ponto de vista econômico, como você vê o cenário a curto, médio e longo prazo após a crise provocada pelo coronavírus?

Atualmente, o mundo passa por um momento sem precedentes para a nossa geração. A crise de saúde pública é global, mas no Brasil ela se agrava por sermos um país com muitas pessoas pobres, com educação precária e com uma desigualdade social imensa. Além disto, infelizmente, os brasileiros não têm elegido os melhores políticos e governantes para os cargos públicos. Quando falamos melhores, não queremos falar somente da falta de competência e ou de liderança desses indivíduos. Mas, o fato é que em sua grande maioria, são políticos que possuem interesses pessoais para se perpetuar no poder e que estão acima dos interesses dos cidadãos e da busca pelo desenvolvimento do país.

O resultado é que o bom brasileiro que emprega e ou que trabalha, sente os efeitos devastadores de tudo isso nos seus negócios, na sua vida e nas de suas famílias. O cenário atual é de aumento de desemprego a cada dia e muitas empresas quebrando. A queda do PIB deverá estar acima de 5% em 2020 e não vislumbramos uma plena recuperação antes de 2023. Isto se a crise do coronavírus puder ser controlada mundialmente. Se isso não acontecer, é impossível determinar qual será o prognóstico para o Brasil e até para o mundo.

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