Segundo informações do jornal The New York Times, na última quarta-feira (21), o secretário de Estado, Antony J. Blinken, anunciou que o governo Joe Biden trabalharia com o Congresso para acelerar a assistência humanitária ao Afeganistão. Essa ação foi prometida no outono do ano passado (hemisfério norte) quando também determinou a utilização do montante de US$ 300 milhões.

No último domingo, Blinken também defendeu o caso no programa “This Week”, da ABC, afirmando que o Talibã pode ganhar o poder sobre Cabul por meio de um processo político organizado, e não pela força, caso não queira ser reconhecido como um pária internacionalmente.

A negação da legitimidade internacional seria uma punição em qualquer esforço para retroceder os direitos humanos e os direitos das mulheres no país, segundo afirmativa de um funcionário do governo americano ao jornal New York Times.

Há autoridades americanas juntamente com especialistas proeminentes que consideram essa teoria “pária” como válida, ressaltando que os líderes do Talibã têm um histórico de buscar credibilidade internacional, colocando alta prioridade na remoção das sanções voltadas contra eles.

Segundo oficiais do Talibã, o desejo é de receber ajuda estrangeira para reconstruir seu país após duas décadas de guerra opressora. No entanto, para alguns críticos, essa noção é tragicamente ilusória, pois ignora os atos fundamentalistas do Talibã.

De acordo com Tom Malinowski, democrata de Nova Jersey, essa é uma história para ser contada a si mesmo como forma de se sentir melhor.

Biden decide remover suas tropas do Afeganistão até 11 de setembro

A pressão diplomática e financeira continua sendo uma ferramenta dos Estados Unidos e pode ser usada para conter o Talibã, apesar de Biden está removendo todas as tropas americanas do Afeganistão.

O prazo para total remoção é de até 11 de setembro. Mas, por enquanto, os Estados Unidos continuarão a fornecer ajuda militar ao governo Afeganistão na esperança de que suas forças de segurança não passem a ser também invadidas.

Com a retirada do Afeganistão, Biden se concentra no panorama geral. No entanto, para o colunista Brad Glosserman, do jornal The Japan Times, essa é uma decisão controversa, em especial, porque o Afeganistão ainda continua dividido pela guerra civil e o governo de Cabul ainda se mostra fraco e vacilante.

Especialistas acreditam que Talibã poderá assumir o controle do Afeganistão

De acordo com especialistas, é possível imaginar que, a longo prazo, o Talibã se torne parte do governo afegão ou poderá assumir o controle de todo o país. No entanto, ainda não está claro como os Estados Unidos responderão a esse possível fato.

A professora Christine Fair, da Universidade de Georgetown Edmund A, disse que os afegãos merecem mais do que apenas ouvir e acrescentou que o governo Biden precisa dar mais ênfase ao papel do Paquistão, que há muito exerce grande influência sobre o Talibã.

Para HR McMaster, general reformado que serviu como conselheiro de segurança nacional durante a administração Trump, é "delirante" acreditar que após 20 anos o Talibã tenha mudado fundamentalmente.

Em crítica a decisão de Biden, McMaster disse que não "há uma linha ousada entre o Talibã e a Al Qaeda". A afirmativa ocorreu durante uma discussão para o Centro Belfer na Escola de Governo Kennedy de Harvard.

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