A presidente do Supremo Tribunal Federa (STF), ministra Cármen Lúcia [VIDEO], ficou totalmente irritada com a decisão do ministro Edson Fachin de enviar ao Plenário da Corte a decisão sobre o habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva [VIDEO].

Numa forte declaração, a ministra disse que Fachin terá que "descascar o abacaxi" sozinho. Fachin tomou uma atitude que não foi legal para a Corte. Pressionado em um encontro com o novo advogado de Lula, o ex-presidente do STF Sepúlveda Pertence, o ministro acabou enviando o habeas corpus de Lula para a decisão dos seus colegas e isso foi algo decepcionante para Cármen Lúcia, que acabou sendo constrangida por todos os lados para pôr em pauta na Corte esse assunto.

A ministra já avisou que se depender dela, essa assunto não vai fazer parte do tribunal e além disso, ela tenta se manter firme para também não colocar na pauta o julgamento para um possível novo entendimento sobre a prisão após condenação em segunda instância.

Ação suspeita

O ministro Edson Fachin tem tido atitudes um pouco estranhas para quem conhece bem os seus pensamentos. Ele chegou até a ser elogiado pelo juiz federal Sérgio Moro, mas suas ações recentes dão conta de que ele está mais preocupado em livrar Lula de uma possível prisão do que ajudar a Lava Jato a combater a corrupção.

Fachin teve encontros com petistas que imploraram para Lula ser ajudado. Primeiro foi o ex-ministro Gilberto Carvalho, depois, foi a vez de Luiz Marinho. Nenhum deles é advogado e não há razão para Fachin abrir o seu gabinete para recebê-los, ainda mais, políticos que possuem atividades suspeitas e que estão sendo investigados.

De acordo com o "O Antagonista", o Supremo vai mostrando a cada dia que possui decisões em torno das conveniências dos poderosos.

Cármen Lúcia está sendo vista por muitos como o escudo da sociedade contra as investidas de interesses dentro do STF.

Desânimo

O Partido dos Trabalhadores já tem mostrado um certo desânimo com a ministra e várias críticas já estão sendo feitas atacando a sua conduta.

A presidente do partido, senadora Gleisi Hoffmann, já está admitindo que o STF não vai julgar o habeas corpus de Lula e o ex-presidente pode ir mesmo para a cadeia.

Indignada, a senadora ressaltou que o STF não está se manifestando sobre esse assunto e a tendência, pelas palavras da presidente da Corte, é que o STF não vai julgar se é a favor ou contra esse habeas corpus. A probabilidade é que o STF espere o TRF- 4 confirmar a sentença depois de julgar os embargos, declarou.