O presidente da República, Jair Bolsonaro, telefonou diretamente para a embaixadora do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Maria Nazareth Farani Azevedo, foi o que apontou o blog de Jamil Chade, no UOL. O gesto do mandatário brasileiro é considerado raro nos meios diplomáticos, já que dificilmente um presidente da República liga diretamente para um embaixador, sem que seja intermediado pelo ministro das Relações Exteriores do país.

Entretanto, a situação é ainda mais rara, em se tratando de um presidente telefonar para um embaixador, ainda mais quando o mandatário não o conhece, como é o caso de Bolsonaro e a embaixadora. O presidente entrou em contato com Maria Nazareth para agradecê-la a respeito da atitude que ela teve em questionar o ex-deputado federal Jean Wyllys.

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Gesto de embaixadora chama a atenção do presidente

O ex-deputado Jean Wyllys havia feito acusações ao governo do presidente Jair Bolsonaro e chegou a sugerir, conforme divulgado pelo portal de notícias UOL, de que o mandatário brasileiro tivesse envolvimento com o crime organizado no país e chegou a alertar a respeito de supostas violações dos direitos humanos, o que acabou não se concretizando.

Entretanto, quando um governo estrangeiro, uma organização não governamental ou até um ativista, faz ataques a outro país, é de praxe que um governo possa se defender desses mesmos ataques proferidos.

Vale ressaltar que a embaixadora Maria Nazareth entrou na sala, após o discurso feito pelo ex-deputado federal Jean Wyllys.

Após ter lido um texto pré-preparado, antes de sair da sala, a embaixadora começou a gritar de modo contundente, que o ex-deputado Jean Wyllys "envergonha" o Brasil. Porém, horas após o episódio, veio um telefonema do chefe de Estado brasileiro para agradecê-la pelo ato protagonizado. Alguns dias antes, o presidente Jair Bolsonaro já sinalizava que estaria descontente com embaixadores que não retratavam de forma positiva sua imagem no exterior.

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No Palácio do Planalto, o gesto do presidente Jair Bolsonaro em ligar para a embaixadora brasileira na ONU tornou-se uma demonstração de que, a partir daquele momento, Maria Nazareth teria acesso direto ao presidente da República e o ato poderia ser considerado como um verdadeiro "endosso" a gestos que sejam considerados semelhantes em se tratando de ataques contra o presidente e o governo no exterior.

Algumas especulações foram levantadas em relação ao Itamaraty, em se tratando de possibilidades de que alguns nomes da chancelaria possam substituir o atual ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo.