Duas apresentadoras da GloboNews acabaram ficando fora do ar por pelo menos cinco dias após terem se manifestado com várias críticas ao presidente Jair Bolsonaro através do Twitter. Tudo começou quando o mandatário do país publicou um vídeo com repúdio a atos obscenos que faziam parte de blocos de rua do Carnaval. As apresentadoras Leilane Neubarth e Mônica Waldvogel criticaram a postura de Bolsonaro, e o presidente retrucou. Os episódios aconteceram há um mês, mas foram correlacionados nesta segunda (8) pelo site Notícias da TV.

O Grupo Globo possui alguns princípios editoriais que devem ser obedecidos pelos seus funcionários, como, por exemplo, a não manifestação política nas redes sociais, para evitar que se quebre o princípio da neutralidade.

Embora a imprensa sinalize algum tipo de correlação entre os fatos, a Globo negou que as apresentadoras tivessem ficado fora do ar por esse motivo e resumiu que apenas descansaram.

Atritos

No dia 6 de março, Leilane criticou o presidente dizendo que não entendia o que o levou a postar uma cena escatológica como aquela, onde duas pessoas cometem atos obscenos num bloco de rua. Ela chegou a marcar o presidente para que ele pudesse ver a crítica feita.

Em uma outra publicação, a jornalista disse que trabalha no Carnaval há muito tempo e disse que o presidente errou ao dizer que aquela cena tem acontecido em muitos blocos de rua.

No mesmo dia em que a jornalista fez as críticas, ela foi substituída por Leila Sterenberg.

Leilane acabou ficando fora do ar por cinco dias.

Mônica Waldvogel questionou se a postagem era mesmo do presidente da República e disse que, se foi dele, faltava-lhe "decoro". O capitão retrucou e perguntou: "E pra vocês. Falta o quê?".

Em um período de cinco dias, Mônica também não apareceu na emissora.

Globo se manifestou

A Globo negou que as apresentadoras tivessem sido afastadas por esse motivo. Segundo o canal carioca, elas ficaram fora do ar por alguns dias para descansarem, já que era Carnaval, ou apenas por motivos particulares.

No entanto, existem regras determinadas pela emissora e que, por muitas vezes, não são obedecidas pelos seus funcionários. Os Princípios Editoriais do Grupo Globo condenam qualquer manifestação ideológica nas redes sociais, inclusive, até mesmo em grupos privados de WhatsApp.

No ano passado, Ali Kamel, diretor-geral do jornalismo da Globo, advertiu profissionais que estavam demonstrando suas preferências políticas, afirmando que isso poderia prejudicar o jornalismo da emissora, que deveria ser imparcial.

Até mesmo preferências por times de futebol devem ser evitadas em comentários e publicações nas redes sociais.