A segunda-feira (8) começou agitada. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) anunciou a exoneração do ministro da Educação Ricardo Vélez Rodríguez. Esta é a segunda demissão de ministros na gestão Bolsonaro. O primeiro a cair foi Gustavo Bebbiano, da Secretaria-Geral da Presidência.

A demissão de Vélez Rodriguez e o anúncio do novo ministro foram feitos em edição extra do Diário Oficial da União. O novo ministro da Educação é Abraham Weintraub, que atuou na equipe de transição e estava na função de secretário-executivo da Casa Civil. Ele era considerado o número 2 da pasta dirigida por Onyx Lorenzoni.

De acordo com o jornalista Valdo Cruz, que mantém uma coluna sobre política no portal G1, a escolha de Bolsonaro foi um meio-termo para acalmar os ânimos do escritor Olavo de Carvalho e de militares. Os dois lados disputavam nos bastidores quem faria o sucessor de Vélez Rodríguez.

A decisão de Bolsonaro por Abraham Weintraub não privilegia nem um dos lados na disputa por uma das principais pastas do novo governo. O Ministério da Educação (MEC) é visto como estratégica para o governo.

Pelas redes sociais, Bolsonaro rasgou elogios ao seu novo ministro. "Possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta", afirmou o presidente da República. Na mesma postagem, ele agradeceu a Vélez Rodríguez pelos serviços prestados.

O presidente também citou o currículo do novo ministro. Abraham possui mestrado em administração na área de finanças pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), MBA executivo internacional e títulos reconhecidos em universidades do Brasil, Estados Unidos, China, México e Holanda.

A troca de ministros na pasta da Educação ocorre em um momento delicado no ministério.

A gráfica RR, que imprime as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), anunciou falência e isso pode dificultar a realização da prova neste ano.

A expectativa é que seis milhões de pessoas se inscrevam no Enem 2019. Isso representa 12 milhões de provas impressas e todo um esquema de segurança que nem toda gráfica consegue realizar.

Por isso, o novo ministro terá que correr contra o tempo para que a prova seja realizada sem problemas.

Ascensão e queda de Vélez Rodríguez

O ministro Ricardo Vélez Rodríguez, colombiano radicado no Brasil, chegou ao MEC por influência de Olavo de Carvalho.

A passagem de pouco mais de três meses foi marcada por diversas polêmicas que inviabilizaram a permanência do ministro na pasta.

Uma das maiores polêmicas foi o e-mail enviado às instituições de ensino de todo o país solicitando que as diretorias das escolas gravassem os alunos cantando o hino nacional. Pegou muito mal o pedido de leitura de uma carta às crianças em que era utilizado o slogan da campanha de Bolsonaro: "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos".