O ministro da Economia do Governo Jair Bolsonaro, Paulo Guedes, acabou protagonizando momentos de tensão com parlamentares durante defesa da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (3).

Em um determinado momento, o ministro comentava sobre a importância para o país de se economizar R$ 1 trilhão dos cofres públicos com a reforma da Previdência e uma futura transição ao regime de capitalização, onde cada trabalhador é responsável por contribuir para a própria aposentadoria. No entanto, Guedes foi interrompido por alguns parlamentares da oposição ao governo que gritaram "Chile", em alusão ao país vizinho, que adota o regime de capitalização e sofre críticas pelo baixo valor das aposentadorias concedidas.

Guedes retrucou e falou que o Chile tem uma renda per capita de US$ 26 mil, no caso, o dobro do Brasil e, em tom provocativo, comentou que a Venezuela está bem melhor. Os parlamentares da oposição ficaram nervosos com a provocação do ministro e começaram a gritar fora do microfone. Henrique Fontana (PT-RS) era um dos mais exaltados. Guedes continuou a provocá-lo pedindo para que ele falasse mais alto.

Pedido de desculpas

Paulo Guedes sentiu que passou um pouco da conta ao provocar parlamentares da oposição e pediu desculpas. A confusão foi generalizada. Deputados mandavam mulheres, também deputadas, calarem a boca, e tudo estava bagunçado. Como uma forma de acalmar os ânimos, o ministro pediu desculpas.

Ele disse que chegou na Comissão com a intenção de se manter calmo, mas acabou passando dos limites. Ele enfatizou que o papel dele é apenas apresentar a proposta da reforma para os parlamentares, contudo, eles é que iriam decidir sobre o desejo de levar adiante ou não.

Previdência do Chile

Em outubro do ano passado, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, propôs alterações na legislação para aumentar as aposentadorias que estavam baixas e tirar da pobreza um grande número de idosos do país.

A proposta enviado ao Congresso pelo presidente chileno acarreta um aumento da alíquota previdenciária, que seria paga pelas empresas, que só contribuíam em casos de profissões insalubres.