O presidente Jair Bolsonaro (PSL), nesta última quinta-feira (8), deu mais uma declaração polêmica na saída do Palácio da Alvorada.

Ao comentar sobre o almoço que teria, ainda na quinta-feira, com a viúva de Carlos Alberto Brilhante Ustra, Maria José Brilhante Ustra, Jair Bolsonaro chamou de "herói nacional" o coronel já falecido.

O presidente disse que não teve muito contrato com Maria José, porém, afirmou que ela "tem um coração enorme" e afirmou, primeiramente, que teve "muito contato" com o coronel Ustra, mas logo a seguir mudou sua fala e disse que teve "alguns contatos" com o militar enquanto ele era vivo.

'Herói nacional'

Carlos Alberto Brilhante Ustra morreu em 2015, aos 83 anos. Ele foi comandante do DOI-Codi, o órgão de repressão política do período ditatorial.

Entre 29 de setembro de 1970 e 23 de janeiro de 1974, período em que o órgão de repressão foi comandado por Ustra, foram registrados pelo menos 45 mortes e desaparecimentos forçados, segundo o relatório da Comissão Nacional da Verdade.

Brilhante Ustra foi o primeiro militar do Brasil que respondeu por um processo de tortura durante o período ditatorial.

O juiz da 23ª Vara Cível central, Gustavo Santini, julgou em 2008 procedente o pedido de ação que pedia que a Justiça responsabilizasse Ustra por crimes de tortura.

Outra derrota ocorreu em 2012, quando ele foi condenado a pagar indenização por danos morais para a esposa e também para a irmã de Luiz Eduardo da Rocha Merlino, jornalista morto em 1971.

O coronel nunca admitiu ter cometido atos violentos contra presos.

O relatório final da Comissão da Verdade aponta 377 pessoas, incluindo Ustra, como responsáveis de forma direta ou indireta pelos atos de tortura durante a ditadura militar.

Homenagem a Brilhante Ustra

Em abril de 2016, poucos dias após a abertura do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT), a seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) --naquela época comandada por Felipe Santa Cruz, atual presidente nacional-- entrou com um pedido na Câmara dos Deputados requerendo a cassação do então deputado federal Jair Bolsonaro por quebra do decoro parlamentar e apologia à tortura.

Quando declarou seu voto a favor da abertura do impeachment, Jair Bolsonaro homenageou Carlos Alberto Brilhante Ustra e disse que o coronel foi "o terror de Dilma Rousseff".

Em novembro daquele mesmo ano, o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados resolveu arquivar o caso.

Protesto da oposição

Na tarde desta quinta-feira (8), o deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA) criticou na tribuna da Câmara dos Deputados a fala do presidente Bolsonaro que se referiu a Ustra como herói nacional.

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