Nesta terça-feira (27), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, decidiu se manifestar e pode ter causado uma tensão mais assídua no Planalto. Conforme detalharam os jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, Moro defendeu o trabalho do diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, o qual havia sido ameaçado de demissão pelo presidente Jair Bolsonaro. Além disso, o ministro afirmou que o presidente possui um compromisso com o combate à corrupção e esse foi um dos motivos que o levou a aceitar o cargo no Governo.

Para Moro, o governo teve um avanço nos últimos meses no combate à corrupção, no entanto, ele afirma que aconteceram alguns reveses.

O ex-magistrado fez as declarações em um evento organizado pela Polícia Federal e que ocorreu no próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública. Moro não mencionou quais seriam esses reveses.

A fala do ministro acontece em um momento em que várias instituições, como Receita Federal e Polícia Federal, questionam as supostas intervenções do presidente em órgãos de controle. Conforme comentado pelo Estadão, no dia 23 deste mês, o procurador da República, Deltan Dallagnol, concedeu uma entrevista ao jornal Gazeta do Povo e citou que o mandatário brasileiro está se afastando das pautas que visam o combate à corrupção. Bolsonaro também sofre pressão de Moro e de vários parlamentares do PSL para que vete a lei de abuso de autoridade aprovada no Congresso e que criminaliza ações de delegados, juízes e procuradores.

No evento, Moro enalteceu o trabalho do diretor-geral da PF Maurício Valeixo, indicado por ele, dizendo que ele tem feito um trabalho extraordinário à frente da corporação.

Reveses

Entretanto, o ex-juiz federal tem sofrido vários reveses desde que assumiu o Ministério. Primeiro perdeu o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o Ministério da Economia, depois teve o seu pacote anticrime tendo pouco respaldo do governo, sofrendo grandes dificuldades de aprovação no Congresso.

Segundo O Globo, Bolsonaro teria ficado irritado com o seu ministro quando este foi procurar Dias Toffoli para que analisasse novamente a decisão de proibir investigações iniciadas através de dados do Coaf. Toffoli havia atendido um pedido do filho do presidente, Flávio Bolsonaro, que é alvo de investigações sobre fraudes com dinheiro de servidores do gabinete dele.

Contudo, Moro ainda confia que pode avançar com seus anseios e possui uma equipe que está junto com ele, conforme mencionou um dos seus auxiliares.

O ministro citou que é preciso atuação dos Estados e fiscalização constante para que se evite que policiais sejam corrompidos. Para isso, há a necessidade de integralidade máxima dentro dos órgãos de investigações.

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