O pedido de instauração de uma CPI do Lava Jato foi protocolado nesta quinta-feira (12), na Câmara dos Deputados. A intenção é apurar possíveis irregularidades na atuação dos procuradores que estavam envolvidos na Operação. Segundo mensagens divulgadas pelo The Intercept, o Ministro Sérgio Moro também estaria envolvido diretamente no caso.

De acordo com o jornal Estadão, aliados do ministro começaram um movimento contrário, tentando barrar a instauração da CPI, para, assim, proteger os interesses do ex-juiz.

Retirar assinaturas é a estratégia utilizada

Segundo a matéria publicada pelo jornal Estadão, no primeiro momento, a estratégia foi retirar as assinaturas. Entretanto, esse movimento não é permitido pelo regimento da Câmara. Nomes não podem ser alterados após a publicação do pedido de abertura de CPI. A comissão necessitava de 171 assinaturas para sua abertura. 175 foi o número obtido.

Em conversa com o Estadão, três deputados confirmaram sua intenção de retirarem suas assinaturas. Segundo eles, ao assinarem, não sabia claramente que se tratava de uma ação contra Moro. Capitão Augusto (PL-SP) diz estar tentando mobilizar colegas deputados para que também tentem retirar suas assinaturas.

Regras da Casa não permitem manobra

Segundo o Estadão, os aliados tentam encontrar brechas nas regras da Casa, que permitam essa retirada de assinaturas. Eles acreditam que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) poderia intervir e permitir a ação. A equipe técnica da Casa discorda desse argumento.

A decisão de abertura ou não se encontra, agora, nas mãos de Maia. Cabe a ele decidir os rumos que a proposta seguirá. Capitão Augusto informou à reportagem do Estadão que se encontrará com o deputado Rodrigo Maia para tentar convencê-lo da necessidade de suspender esse pedido.

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Deputados dizem ter assinado sem conhecer teor do pedido

Segundo informações do Estadão, outros três deputados aderiram à ideia de retirada de assinaturas. Lucas Vergílio (Solidariedade-GO), Alexis Fonteyne (Novo-SP) e Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) manifestaram seu desejo de retirarem suas assinaturas, tentando, assim, demonstrar apoio ao ministro Sérgio Moro, logo após a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara sinalizar que as assinaturas eram em número suficiente para abertura. Todos alegaram o mesmo: desconhecimento que o foco da CPI era Sérgio Moro.

Lucas Vergillio (Solidariedade-GO) foi o primeiro a fazer requerimento tentando retirar a assinatura. Segundo disse a reportagem do Estadão, ele acreditava ser um ação para investigar procurador Deltan Dallagnol. Afirma, ainda, não ter sido induzido a assinar. Apenas, se equivocou quanto o verdadeiro teor do requerimento.

A deputada Jandira Fegali (PSOL-RJ), que protocolou o pedido de abertura de CPI, se diz surpresa com os argumentos dos colegas deputados. Ela afirma não crer que parlamentares assinem algum tipo de documento sem prévia leitura.

Diz, ainda, que todos têm responsabilidade com os eleitores, não podendo fazer esse tipo de papel.

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