Na última terça-feira (19), o porteiro do condomínio em que a família de Jair Bolsonaro possui uma casa prestou depoimento à Polícia Federal. O porteiro, cujo nome não foi divulgado por medida de proteção, foi o responsável por envolver o nome do presidente da República nas investigações do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.

As informações a respeito do depoimento do porteiro foram originalmente publicadas no jornal O Globo e pertencem à coluna do jornalista Ancelmo Gois.

O envolvimento da Polícia Federal no caso aconteceu a pedido do ministro Sergio Moro, acionado pelo presidente após a exposição dos fatos pelo "Jornal Nacional".

O pedido foi enviado à Procuradoria-Geral da República e visa realizar a apurações acerca de uma possível obstrução de Justiça, bem como verificar se o depoimento prestado pelo porteiro possui legitimidade.

De acordo com o G1, que tentou entrar em contato com a defesa do porteiro, até o presente momento ainda não foram divulgadas informações a respeito do conteúdo do depoimento prestado à PF.

Durante o depoimento prestado à Polícia Civil, o funcionário do Vivendas da Barra afirmou que Élcio Queiroz, um dos envolvidos no assassinato de Marielle e Anderson, afirmou que iria à casa de Jair Bolsonaro quando entrou no condomínio, e não à de Ronnie Lessa, o outro suspeito do crime.

Até o presente momento, Lessa e Queiroz são os dois únicos presos por suspeita de envolvimento nos assassinatos, que aconteceram em março de 2018.

Devido à citação a Jair Bolsonaro, a legislação brasileira torna obrigatória a participação do Supremo Tribunal Federal (STF) na análise dos fatos. Portanto, a investigação do crime, que acontecia no Rio de Janeiro, poderá ser transferida para as mãos da Polícia Federal após a solicitação de Sergio Moro.

Apresentação de áudio

Também durante o depoimento prestado à Polícia Civil, o funcionário do condomínio afirmou que Élcio se apresentou afirmando que iria à casa 58, que pertence ao presidente da República. Dessa forma, o porteiro anotou o que foi dito no livro de registros do Vivendas da Barra. Ele também pontuou que foi capaz de reconhecer a voz de Bolsonaro no interfone ao entrar em contato com a casa 58 para liberar a entrada de Élcio Queiroz.

Apesar disso, de acordo com a reportagem veiculada pelo "Jornal Nacional", alguns registros da Câmara dos Deputados comprovam a presença de Jair Bolsonaro em Brasília no dia 29 de outubro, ocasião em que a visita de Élcio aconteceu.

Além disso, o vereador Carlos Bolsonaro usou as suas redes sociais para divulgar um áudio, supostamente da ocasião em que a visita de Élcio Queiroz aconteceu. No áudio é possível escutar a voz de Ronnie Lessa autorizando a entrada de Élcio no condomínio.

A gravação compartilhada pelo filho do presidente passou por uma perícia, realizada pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Após a análise, foi concluído que o porteiro pode ter mentido ou até mesmo cometido um erro ao identificar a voz como sendo de Jair Bolsonaro.

Pouco depois, o colunista Lauro Jardim, do O Globo, veiculou uma notícia afirmando que o áudio apresentado por Carlos Bolsonaro não é o mesmo ao qual o porteiro fez referência em seu depoimento à Polícia Civil. Essas informações também foram corroboradas por meio da revista Veja.

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