O presidente da República, Jair Bolsonaro, conseguiu adiar na Justiça o pedido feito para que exiba os exames feitos para saber se foi contaminado ou não pelo coronavírus. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) suspendeu por cinco dias a necessidade do presidente apresentar tais exames.

A decisão foi feita por Mônica Nobre, desembargadora plantonista do TRF-3. A decisão decide suspender por este prazo um pedido da Justiça Federal de São Paulo para que Bolsonaro apresentasse todos os exames da covid-19 que fez.

Pedido de suspensão veio da AGU

A Advocacia-Geral da União (AGU) foi quem apresentou o recurso no TRF-3 para tentar derrubar a decisão que havia sido feita durante esta semana pela Justiça Federal. A decisão visava com que Bolsonaro apresentasse todos os exames num prazo de 48 horas.

"O presidente Jair Bolsonaro tem sido monitorado por sua equipe médica. Não há qualquer risco sanitário de contágio ou disseminação por parte do Presidente da República, uma vez que o presidente não demonstrou ser o hospedeiro do novo coronavírus", disse a AGU no pedido.

O prazo de cinco dias, segundo a alegação da decisão, servirá para que o relator do caso analise as provas apontadas pela União para que provimento da necessidade de apresentação de exames tenha sua sequência ou não.

Carlos Muta é o encarregado da relatoria de tal requisição.

O governo chegou a apresentar ao tribunal um relatório na sexta-feira (1/5) afirmando que Bolsonaro havia testado negativo para coronavírus e que estava 'assintomático'. O tal relatório foi assinado em 18 de março por dois médicos da Presidência, Marcelo Zeitoune (assistente médico e especializado em ortopedia e traumatologia) e Guilherme Guimarães Wimmer (urologista e ocupante do cargo de Coordenador de Saúde).

Viagem de Bolsonaro aos EUA

A origem das dúvidas quanto a possibilidade de Jair Bolsonaro ter sido diagnosticado ou não com o coronavírus veio de uma viagem oficial do presidente aos Estados Unidos. Após a viagem, 23 pessoas que estiveram na comitiva presidencial foram diagnosticadas com Covid-19.

Fábio Wajngarten, secretário de Comunicação Social da Presidência da República e o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, foram alguns dos que tiveram exames com resultado positivo para o coronavírus.

Ambos com grande proximidade com Bolsonaro.

Desde então, os pedidos para que o presidente mostrasse os resultados dos exames foram vários. O Estadão foi um dos que entrou com pedido, com base na Lei de Acesso à Informação. Mas a Presidência tem recusado a exibição dos resultados alegando que isto feriria a privacidade do presidente. Foram dois os exames feitos pelo presidente, nos dias 12 e 17 de março.

Bolsonaro sugeriu já ter tido coronavírus

Durante a semana, o presidente Bolsonaro deu entrevista à Rádio Guaíba e, ao ser perguntado sobre os exames, disse que seus resultados foram "negativos". No entanto, chegou a sugerir que tivesse sido contaminado pelo coronavírus em algum momento.

"Eu talvez peguei esse vírus aí no passado.

Peguei e não senti", disse na ocasião. Desde sua volta dos EUA, o presidente não tem cumprido normas de ficar em quarentena e tem estimulado aglomerações durante suas saídas no Distrito Federal. Inclusive, tendo contato com pessoas durante estes passeios que tem feito

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