Jair Bolsonaro já é alvo de críticas de opositores por sua postura no combate ao coronavírus. E pode ser ainda mais se o Congresso der sequência a uma série de pedidos de investigações e impeachments ligados diretamente ao presidente da República.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, 35 pedidos de impeachment do presidente foram apresentados à mesa do Congresso para serem analisados pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia. O mais recente deles foi apresentado nesta quinta-feira (21).

Bolsonaro recordista

Com 35 pedidos de afastamento em 16 meses de mandato, Bolsonaro é o recordista em processos deste tipo, segundo análise do Estadão.

Fernando Collor e Dilma Rousseff também acumulam números altos de processos, mas ambos em um período maior de seus mandatos (29 em 30 meses e 68 em 67 meses, respectivamente).

O pedido mais recente, feito por membros da Oposição e diversas entidades, aponta que o presidente incorreu em crime de responsabilidade pelo seu apoio e presença a manifestações contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF), além de outras pautas antidemocráticas.

O evento de apresentação deste pedido, que contou com parlamentares de partidos como PT e PSOL, foi o primeiro feito por entidades coletivas pedindo o afastamento do presidente. Outros pedidos contra Bolsonaro foram feitos individualmente por parlamentares.

Na mira de CPIs

Além dos processos de impeachment, Jair Bolsonaro também tem sido alvo de pedidos para instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) contra si. São sete os pedidos para que atos do presidente sejam investigadores pelo Congresso.

A principal motivação pelos requerimentos de CPI são as acusações feitas por Sergio Moro, ex-ministro da Justiça, acusando o presidente de ter interferido na direção da Polícia Federal para proteger familiares e aliados de investigações feitas pela PF.

Um dos pedidos baseados nestas acusações foi feito pelo Cidadania.

A senadora Eliziane Gama (MA) é quem encabeça o pedido de investigação no Senado contra Bolsonaro. Nesta casa, são necessárias 27 assinaturas para que a Comissão seja instalada para fazer a devida investigação sobre tais acusações.

"Já temos quase todas as assinaturas necessárias para a CPI aqui no Senado", afirmou Eliziane, que, no entanto, não informou o estado do pedido e as assinaturas já colhidas.

Para uma CPI na Câmara dos Deputados, são necessárias 171 assinaturas. O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), entrou com um pedido para instalar uma CPI para investigar o presidente, que já teria, em suas contas, 101 assinaturas. Outro deputado que fez um requerimento semelhante foi Aliel Machado (PSB-PR), este que já teria 120 assinaturas.

A maioria dos pedidos de CPI vem de partidos de oposição, com PSOL, PT, Rede e PSDB também protocolando tais pedidos à mesa da Câmara para serem analisados por Rodrigo Maia.

Bolsonaro pode enfrentar 'CPI do fim do mundo'

De acordo com o Estadão, os bastidores do Congresso apontam que, caso uma CPI que implique investigações ao presidente, esta pode ter um teor que pode abalar fortemente Jair Bolsonaro.

Há até a alegação que esta poderia ser uma "CPI do fim do mundo", pela possibilidade de que as investigações possam ir a fundo em muitas das acusações feitas por Moro ao presidente.

Uma CPI que também viria num momento de alta fragilidade do governo, criticado pela conduta na pandemia do coronavírus e pelas crises resultantes desta, poderia aproximar ainda mais a chance de Bolsonaro sofrer o impeachment, o que pode implicar numa maior aproximação deste com o chamado Centrão.

Segundo o Estadão, nos últimos dias, vários partidos ligados a esta tendência no Congresso têm recebido cargos no governo em troca de apoio ao presidente, que começa a ver sua base começar a perder força diante das polêmicas quase que diárias que vem enfrentando.

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