A proximidade de Jair Bolsonaro com Sílvio Santos rendeu frutos políticos. O deputado federal Fábio Faria (PSD-RN), marido de Patrícia Abravanel, uma das filhas do dono do SBT, será o ministro das Comunicações do governo, em pasta que foi recriada nesta semana.

A escolha de Faria, membro de um partido do Centrão, também teria como fator a política do governo. A medida seria para aproximar Jair Bolsonaro do Congresso, com o qual seus apoiadores tem feito protestos contra nos últimos meses.

Relação Bolsonaro e Sílvio Santos

"Vamos ter alguém na pasta que, não é profissional do setor, mas tem o conhecimento por ser próximo à família do Sílvio Santos.

A intenção é de botar esse ministério para funcionar em uma área em que estamos devendo há muito tempo uma melhor informação", disse o presidente no anúncio da escolha do deputado como ministro.

As relações entre o dono do SBT e Bolsonaro tem sido fortes desde as eleições. O presidente já frequentou programas do canal e se reuniu com o dirigente da emissora no passado. O SBT é considerado também uma das principais emissoras que tem demonstrado apoio ao presidente.

Fábio Faria é filho de Robinson Faria, ex-governador do Rio de Grande do Norte, e pai de três filhos com Patrícia Abravanel, que trabalha como apresentadora de programas na emissora do pai

Relação política

A escolha do genro de Sílvio Santos não foi apenas por causa da proximidade do chefe do clã Abravanel com governo.

Mas também serve para que o presidente consiga arrefecer o clima de incerteza motivado pela má relação da Presidência com o Congresso

Fábio Faria é ligado a Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, e por ser parte de um dos partidos (PSD) mais ligados ao Centrão, possa ajudar Bolsonaro a conseguir formar uma base que possa ajudar na comunicação com a Câmara e o Senado, ambos alvos dos protestos de militantes bolsonaristas.

"Não temos nada. Pessoal tá atacando com essa de 'centrão'... eu nem sei qual o partido dele. O Fábio é um deputado federal, que tem um bom relacionamento com todo mundo. Ele entrou em contato com várias lideranças partidárias e foi decidido agora. Não teve acordo com ninguém" justificou o presidente da República.

Além do bom relacionamento com parlamentares, uma das justificativas seria buscar investir mais nas chamadas "mídias tradicionais" para fazer o elo entre o governo e a população. E tentar reduzir o efeito das mídias sociais, território que tem sido a base comunicacional do presidente, mas que tem sido o alvo de inquéritos e polêmicas.

Genro de Sílvio Santos apoiou Lula e Dilma

Hoje no governo Bolsonaro, Fábio Faria esteve, no entanto, no "outro lado". O deputado federal e agora ministro das Comunicações já deu apoio a Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff quando ambos os petistas estavam na Presidência.

Posts que demonstrariam apoio do genro de Sílvio Santos ao PT começaram a ser apagados das redes sociais deste assim que o anúncio de seu nome para a pasta, que será desmembrada do Ministério da Ciência e Tecnologia, foi confirmado.

Faria sempre manteve contatos com os presidentes petistas e também com Michel Temer (MDB), antecessor de Bolsonaro no governo nacional.

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