Milton Ribeiro é a nova indicação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para assumir a pasta do MEC.

A escolha do presidente agradou à bancada e apoiadores evangélicos, porém preocupa os profissionais da área de Educação.

Daniel Cara, membro da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e professor da USP, lamentou a escolha do Governo, afirmando ser uma pena que tenha sido realizada em bases ideológicas. O novo ministro, que é pastor, não tem experiência na área de políticas públicas relacionadas à educação.

Agressão física

Depois do anúncio oficial na pasta, as redes sociais passaram a divulgar vídeos com falas bastante polêmicas de Milton.

Nos vídeos apresentados, o pastor fala que mães devem educar através da dor e que os pais são responsáveis por impor a direção da família.

No ano de 2016, numa pregação denominada "A Vara da Disciplina", o pastor orienta às mães a manter seus filhos no caminho certo, afirmando que nem todas as crianças são inocentes. Defendendo a distinção entre castigo e disciplina, mencionou trechos bíblicos que falam sobre castigar o filho enquanto houver esperança sem se exceder a ponto de matá-lo.

No vídeo ele também menciona que uma criança pode não suportar um tapa de um homem ou uma cintada de uma mulher, pois podem ser mais fortes do que a criança. O pastor alega que não dá aulas de como espancar crianças, apenas defende que a vara da disciplina não pode ser afastada de nossos lares.

Na teoria do pastor presbiteriano, não se obtém sucesso educacional através da suavidade e meios justos, pois acredita que apenas crianças superdotadas são capazes de compreender os argumentos do adulto.

Afirmando que algumas mães poderiam reagir mal e sentir raiva dele, Ribeiro afirma que a severidade deve existir, e que as crianças precisam sentir dores físicas.

Presença do pai

Em um país onde uma grande parcela das famílias é constituída por mães solteiras, ou abandonadas pelo pai das crianças, Ribeiro fala que um lar sem a imposição de um pai é uma casa atacada pelo inimigo, pois é o homem quem deve direcionar o rumo da família.

Polêmicas

Além de seu método contraditório de educação baseado em sua crença e ideologia, o pastor chegou a minimizar o feminicídio no passado, alegando que a paixão é uma das maiores motivações para o assassinato de jovens e adolescentes.

No ano de 2013, Milton Ribeiro comentou o caso de uma garota de 17 anos que foi assassinada por um homem de 33 no ambiente escolar, por não aceitar namorar ele.

O pastor argumentou que a atitude do homem era um caso de "paixão louca", e levantou a possibilidade de a vítima ter dado sinais ao assassino de que a paixão era correspondida, reproduzindo atos sexuais aprendidos na televisão.

Ainda de acordo com Milton, os comportamentos adquiridos por crianças que assistem conteúdos indevidos na TV, são uma porta aberta para abusadores e pedófilos acreditarem que estão sendo chamados para um provável relacionamento.