Na última segunda-feira (11), durante uma conferência internacional sobre o clima, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, chamou a medicina tradicional chinesa de "crença maluca". Nas palavras do primeiro-ministro: "...é uma doença zoonótica (se referindo a COVID-19). Origina-se de morcegos ou pangolins, e da crença maluca de que se você triturar as escamas de um pangolim, de alguma forma, se tornará mais potente, ou seja lá o que as pessoas acreditem, origina-se dessa colisão entre o homem e o mundo natural e nós temos que pará-la."

O primeiro-ministro se refere à medicina tradicional chinesa, que usa animais exóticos, como cobras, insetos, morcegos e até chifres de rinoceronte para tratar doenças e conseguir "vitalidade".

O premiê britânico, assim como a comunidade científica, acredita que o coronavírus tenha vindo do contato ou consumo destes animais pelos seres humanos.

Primeiro-ministro pressiona novamente a China

"Gostaria de ver um mundo em que damos um significado real às metas de Aichi, que foram definidas há tantos anos em Kyoto, e espero que nossos colegas chineses promovam essa agenda em sua Cúpula da Biodiversidade em Kunming", ressaltou.

O primeiro-ministro se refere à 15ª Conferência das Partes (COP 15) e Convenção da Diversidade Biológica, que seria realizada em outubro do ano passado, na China, mas foi adiada por causa da pandemia da Covid-19. A conferência agora está marcada entre os dias 17 e 30 de maio, em Kunming, na China.

Disse ainda ser óbvio que as emissões de CO2 e o aquecimento global devem ser combatidos, porém, para o primeiro-ministro, nunca alcançaremos o verdadeiro equilíbrio sem proteger a natureza.

Em todo seu discurso fez questão de enfatizar que a preservação de florestas, mares e sua biodiversidade é vital. Chamou de "absolutamente inescrupulosa" a taxa com que espécies são destruída e citou que, no século passado, levamos cerca de 500 espécies de mamíferos à extinção.

Primeiro-ministro mira no futuro

O premier britânico mira no futuro, mais exatamente em novembro de 2021, quando acontecerá a COP 26, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Glasgow, na Escócia.

Seu discurso deixou claro o comprometimento com as metas de manter 30% de florestas e 30% dos mares intactos, visando proteger a biodiversidade. Boris se alinha assim ao discurso da União Europeia, que promete endurecer negociações comerciais com o Brasil, caso não mudemos nossa política ambiental.

Johnson disse se sentir satisfeito com o fato de que líderes mundiais tenham aceitado um desafio realmente difícil na preservação do meio ambiente e na recuperação de habitats.

Investimentos anunciados pelo primeiro-ministro

Boris Johnson aproveitou para anunciar investimentos da ordem de 11,6 bilhões de libras (cerca de R$ 84,46 bilhões) no combate às causas do aquecimento global. Desse montante, o primeiro-ministro garantiu que 3 bilhões de libras (cerca de R$ 21,85 bilhões) vão para a recuperação e preservação de mares e florestas, além de contemplar também o financiamento da produção sustentável de alimentos.

Brasil não foi convidado

Essa foi 4ª edição da One Planet Summit for Biodiversity, uma conferência organizada pelo governo francês, com apoio da ONU e do Banco Mundial. Nessa edição mais de 30 líderes discursaram presencialmente ou por videoconferência. O Brasil não foi convidado, provavelmente uma forma encontrada pelos organizadores de pressionar a mudança da atual política de meio ambiente do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (sem partido).

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