Guilherme Boulos (PSOL) foi entrevistado nesta terça-feira (4) pelo jornalista José Luiz Datena, na Rádio Bandeirantes de São Paulo. Boulos é nome emergente na esquerda brasileira depois de candidaturas à presidência da República, em 2018, e a prefeito de São Paulo, em 2020, quando chegou ao segundo turno da eleição da maior cidade do país.

Boulos como nome para o governo de São Paulo

Depois do grande número de votos no segundo turno da eleição paulistana, o nome do PSOL é cogitado para cadeira de governador do estado. No início da entrevista, Boulos disse que espera derrotar o PSDB, que govera São Paulo há décadas.

Sobrou ainda para o Governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Ainda está muito cedo para você definir e cravar qual vai ser o xadrez das eleições de 2022, tanto em nível federal quanto em nível estadual", disse.

Boulos ainda fez questão de destacar a necessidade de uma frente ampla de oposição. "Eu tenho defendido [a frente ampla], desde que acabou as eleições aqui em São Paulo, diante da catástrofe que a gente está vivendo, três mil mortes por dia, fome e miséria. Você tem mostrado no teu programa, as situações de fome nos quatro cantos do Brasil, voltando ao mapa da fome, gente cozinhando à lenha. O cenário é muito catastrófico, e desde que acabou as eleições eu disse que ia trabalhar por uma unidade no campo progressista para acabar com esse pesadelo", relatou.

O ativista ainda teceu críticas ao governo de São Paulo. "Para derrotar em nível nacional essa política do Bolsonaro, que do meu ponto de vista, é responsável diretamente pela tragédia que a gente está vivendo, tanto na pandemia quanto na situação econômico-social. Mas também aqui em São Paulo, para acabar com essa capitania hereditária do PSDB.

É impressionante", criticou.

Mais críticas a Bolsonaro

Boulos seguiu com as ressalvas a respeito do presidente, afirmando que Bolsonaro foi eleito com discurso desconexo da realidade atual. "Bolsonaro ganhou a eleição de 2018 vendendo o peixe que era alguém de fora da política, dizendo que ele ia mudar tudo que está aí. Que ele ia acabar com mamata e com a corrupção.

A gente olha o Brasil dois anos e meio depois, é o filho dele [Flávio Bolsonaro] envolvido em rachadinha, esquema de loja de chocolate, família toda envolvida em milícia. Ele está fazendo aliança com o centrão, que ele disse que queria combater. Comprou os deputados do centrão. É por isso que não foi 'impeachmado' até agora, inclusive", disparou.

A CPI da Pandemia iniciou seus trabalhos nesta terça-feira (4) e Boulos acreditar nas omissões e crimes elencados contra o presidente e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. "Olha essa pandemia, claro, não foi Bolsonaro que criou a pandemia, olha como que está o mundo e como está o Brasil. Ele e o Pazuello trabalharam contra a vacina, não vem só querer botar Pazuello de bode expiatório que não cola.

Ele e o Pazuello indicaram a cloroquina, um monte de remédio que não tem eficácia (...) ou seja ele [o presidente] está diretamente responsável por isso", acusou.