O presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) tem relatado aos seus auxiliares mais próximos o seu desapontamento com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Bolsonaro só não demitiu Mandetta até agora para evitar a piora na crise provocada pela pandemia do novo coronavírus. É o que relata o colunista do site UOL Tales Alves.

Jair Bolsonaro tem se sentido abandonado por parte do empresariado que o apoiou nas eleições presidenciais de 2018. Ele está temeroso que a demissão do ministro da Saúde se transforme em um rompimento definitivo com essa parcela de empresários e parte da Opinião pública que representa.

Porém, de qualquer maneira, Jair Bolsonaro escolheu um nome para suceder o atual ministro da Saúde. Segundo Tales Alves, trata-se de Antonio Barra Torres, o presidente da Anvisa. Torres é médico da Marinha. Mandetta tem falado que o Ministério da Saúde não deixará de seguir "critérios técnicos" no combate e prevenção do novo coronavírus.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, Mandetta deixou claro para o presidente que não pedirá demissão, isto na prática quer dizer que toda a responsabilidade por um possível afastamento do atual chefe da pasta, recairá sobre os ombros de Bolsonaro.

Enquanto houver este impasse, o presidente pretende continuar sua afronta pública às orientações do ministro da Saúde, como o isolamento social.

Bolsonaro foi contra as recomendações de seu próprio ministro quando neste domingo (29), foi às ruas de Brasília para visitar lojas e confraternizar com o povo.

Fritura

O jornalista do UOL analisa que esta atitude do presidente é uma maneira de fritar o ministro que já declarou que não pedirá demissão.

O presidente ainda atribui ao seu ministro da Saúde o vazamento de conversas ocorridas entre eles. Bolsonaro também estaria irritado com o partido de Luiz Henrique Mandetta, o DEM. O partido ainda tem outros dois ministros no Governo Bolsonaro: Onyx Lorenzoni (Cidadania) e Tereza Cristina (Agricultura), assim como Mandetta, estes dois também seriam difíceis de ser demitidos.

Onyx Lorenzoni é amigo de Jair Bolsonaro e foi um dos primeiros políticos a apoiar sua candidatura ao Planalto. Tereza Cristina possui amplo apoio dos ruralistas, base eleitoral do Messias, estas são as razões pelas quais Bolsonaro não poderia demitir estes ministros no momento.

Também estaria nesta lista de desafetos de Bolsonaro o presidente nacional do DEM, ACM Neto, prefeito de Salvador. Ele tem criticado abertamente a atuação do líder do Executivo na crise do novo coronavírus. ACM Neto em entrevista ao site UOL, afirmou que Bolsonaro ofendeu as famílias das vítimas da pandemia. Também entra na lista de emedebistas que Jair Bolsonaro considera que o traíram é Ronaldo Caiado, governador de Goiás.

Bolsonaro tem afirmado que apoiou Caiado desde o início do governo e agora o governador se nega a aceitar o pedido de suspensão das regras de distanciamento social impostas no estado. Ronaldo Caiado convocou entrevista coletiva no mesmo domingo em que Bolsonaro afrontava seu ministro da Saúde e reafirmou sua posição de que Goiás: "continuará seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde", ele ainda acrescentou que discorda do posicionamento do presidente da República.

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