Uma das novidades que chegou ao catálogo da Netflix neste final de semana é a produção francesa de 2019 "Estranhos em Casa" (Furie) do diretor Olivier Abbou. Com roteiro do próprio Abbou e de Aurélien Molas. A produção tem no elenco: Adama Niane; Stéphane Caillard; Paul Hamy; Eddy Leduc; Hubert Delattre; Matthieu Kacou; Charlotte Geiger e Christopher Fataki.

Baseado em eventos reais

Embora o filme logo trate de informar ao espectador que a história é inspirada em eventos reais, provavelmente muito do que é mostrado na tela é fruto da equipe criativa da produção, que se inspirou em várias outras fontes para contar esta estranha história.

O casal Paul (Adama Niane) e Chloé (Stéphane Caillard) e seu filho, voltam para casa em uma noite chuvosa, quando tentam entrar em casa, eles descobrem que a babá de seu filho e o marido dela se aproveitaram da ausência dos verdadeiros donos da casa para falsificar a posse do imóvel. Então o casal enfrenta vários obstáculos burocráticos para tentar reaver seu lar.

O filme de 1h38 não demora a demonstrar suas intenções, logo em suas cenas iniciais, mesmo com imagens de uma família aproveitando as férias, a trilha sonora já dá o tom do que será visto durante toda a produção, uma tensão cada vez maior que terminará em uma tragédia.

Construção dos personagens

Aos poucos também é revelado que o casal de protagonistas está tentando se recuperar de uma crise no casamento, após Clhoé trair seu marido.

Paul é um professor de História bem-sucedido, com uma bela esposa, mas o filme levanta questões raciais que mostram que ele é um homem que tem que lutar contra o preconceito. Embora na França um casal inter-racial não cause espanto, mas a questão da cor do protagonista é levantada em alguns momentos.

A traição de sua esposa e a inusitada situação que está vivendo, leva o então pacato professor de História a se tornar cada vez impaciente e violento, isto o leva a mostrar um lado seu que está adormecido, mas a grande questão que o filme parece querer propor é se realmente a violência que Paul demonstra é realmente sua ou se foi a influência do vilão Mickey (Paul Hamy) que o levou a tomar várias atitudes erradas.

Após ser banida da própria casa, a família acaba indo parar em um acampamento gerenciado por Mickey, que por coincidência é um ex-namorado de Clhoé. Mickey conquista a amizade de Paul e o leva a conhecer seus estranhos amigos, que promovem festas regadas à álcool, drogas ilícitas e divertimentos bizarros. Neste ponto, o filme parece querer se aproximar com a produção de David Fincher "Clube da Luta" de 1999 que mostra o personagem Tyler Durden (Brad Pitt), sendo o alter-ego do Narrador vivido por Edward Norton.

Descendo a ladeira

A impressão que se tem é que o diretor Olivier Abbou, e a equipe criativa do longa quiseram colocar em prática tudo o que aprenderam com os grandes clássicos do cinema, além do já citado "Clube da Luta", há movimentos de câmera que remetem às obras de Alfred Hitchcock, e a trilha sonora até usa de maneira inteligente a influência do recente "Birdman" ou ("A Inesperada Virtude da Ignorância") , filme de 2014 do mexicano Alejandro González Iñárritu.

A fotografia exagera em efeitos de câmera para mostrar a desorientação do personagem, e o uso do vermelho para simbolizar toda a fúria dos personagens foi usado sem moderação. Para coroar um filme que tem boas intenções, mas que não alcança o resultado desejado, a trama termina com uma intensa cena de relação sexual entre o casal protagonista. O que acaba deixando a dúvida se o diretor Olivier Abbou quis fazer algo relevante em termos dramáticos, ou se apenas fez uma espécie de homenagem a filmes trash das décadas de 1970 e 1980.

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