Estreou na última sexta-feira (22) na Netflix o filme “O Tigre Branco”, adaptação do best-seller homônimo de Aravind Adiga. O filme dirigido por Ramin Bahrani mostra uma Índia mais realista e crua do que o público brasileiro, eventualmente, conhece pelos filmes da gigantesca indústria de cinema do país, Bollywood, ou ainda de produções realizadas no ocidente retratando o país, como: “Quem Quer Ser um Milionário” (2008) ou “Lion: Uma Jornada Para Casa” (2016), ambos protagonizados pelo inglês Dev Patel.

Capitalismo selvagem

É nesta Índia suja, cruel e capitalista que o espectador acompanha o drama de Balram (Adarsh Gourav) contado pelo próprio em uma narração em off.

O protagonista inicia sua saga a partir de um evento em que está prestes a acontecer uma tragédia, mas resolve retroceder no tempo e narrar sua história desde a infância miserável em um vilarejo.

Quando criança o protagonista já se destacava pela inteligência e pelo desejo de mudar de vida, mas ele foi forçado a abandonar a escola para trabalhar no negócio da família. Quando se torna mais velho ele tem um plano ousado, trabalhar como motorista justamente para a família do homem que explorava seu vilarejo.

Balram passa a trabalhar para o empresário Ashok (Rajkummar Rao) e sua esposa Pink (Priyanka Chopra). O casal aparenta ser diferente do resto da família rica, pois ambos passaram boa parte da vida nos Estados Unidos, então apresentam um caráter mais empático ao tratar com os subordinados.

Economia

Balram narra sua história a partir da escrita de um e-mail que pretende enviar para o primeiro-ministro da China, que irá visitar a Índia, desta maneira o personagem cita que o futuro pertence à Ásia, aos “amarelos” e aos “marrons”, como diz. Ele também afirma que o tempo dos Estados Unidos já passou. O filme se passa em 2007, um pouco antes da crise dos bancos ocorrida nos EUA.

O protagonista é um jovem que luta para fugir da miséria e da exploração, tanto de poderosos que exploram seu povo quanto de próprios membros de sua família. Balram está determinado a quebrar o círculo vicioso de miséria que fez com que seu pai fosse levado à morte e impediu o próprio protagonista de frequentar a escola.

Mas se é fácil se comover com a história do rapaz, logo a empatia que o público poderia ter com o protagonista fica comprometida quando se vê as escolhas que ele faz para alcançar seus objetivos, ainda que ele sinta arrependimento, ele não deixa de enganar pessoas de seu próprio meio social, ou seja, Balram é um alpinista social que se for preciso irá humilhar pessoas pobres como ele para defender seus patrões ricos.

Ainda que as atitudes do personagem sejam questionáveis, somente na metade do filme é que o protagonista, ao participar de uma tragédia, mostra sua total falta de escrúpulos e que é capaz de fazer qualquer coisa para deixar a pobreza.

Um dos pontos altos da trama é a relação de Balram com seus patrões Ashok e Pink. O casal se mostra compreensível com a condição do motorista (quando lhes convém), e dessa maneira se constrói entre o protagonista e Ashok uma relação de hipocrisia. Enquanto o protagonista se mostra subserviente, mas essa subserviência serve apenas aos seus propósitos gananciosos o empresário se mostra solidário com Balram apenas para aplacar a culpa que sente por sua condição de privilegiado, mas até isso desaparece ao longo da trama, com Ashok se mostrando tão cruel com os pobres quanto os outros integrantes da sua família.

O filme aponta muitas mazelas do capitalismo e um conflito de classes que faz lembrar a produção sul-coreana “Parasita” (2019) e ainda o filme da Netflix “Joias Brutas” (2019), por mostrar um protagonista inescrupuloso.

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