Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta última segunda-feira (15) que a revista Crusoé e o site O Antagonista deixem de veicular reportagens e notas citando o presidente do STF, Dias Toffoli.

O ministro enviou à Polícia Federal (PF) uma ordem para ouvir os responsáveis pelo site e pela revista no prazo de até 72 horas. Na decisão do ministro do STF também está estipulada uma multa diária de R$ 100 mil, caso a determinação não seja obedecida.

Alexandre de Moraes decidiu sobre o tema por ser o relator de um inquérito aberto no mês de março que apura notícias fraudulentas que têm o potencial de ferir a honra dos ministros do Supremo Tribunal Federal ou vazamentos sobre os integrantes da corte.

'Amigo do amigo de meu pai'

Este é o título da matéria publicada na revista Crusoé na quinta-feira (11), que mostra que a defesa de Marcelo Odebrecht (ex-presidente da Odebrecht), juntou em um dos processos contra o empresário na Justiça Federal em Curitiba documento em que é esclarecido que o personagem citado em um e-mail --o amigo do amigo de meu pai-- seria o presidente do STF, Dias Toffoli.

Toffoli na época exercia o cargo de Advogado Geral da União, no período de 2007 até 2009, no Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a reportagem, no e-mail, Marcelo negociava com Adriano Maia, advogado da Odebrecht, e também com outro executivo da empresa, Irineu Meireles. No e-mail, Marcelo perguntava se eles já tinham "fechado" com o "amigo do amigo".

A troca de mensagens não mencionava dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento.

Não perca as últimas notícias!
Clique no tema que mais te interessa. Vamos te manter atualizado com todas as últimas novidades que você não deve perder.
Lava Jato Governo

Quando a força-tarefa da Operação Lava Jato questionou o empresário, ele disse que o e-mail referia-se a tratativas de Adriano Maia com a Advocacia Geral da União (AGU), que envolvia as hidrelétricas do Rio Madeira.

A revista Crusoé afirma ter enviado a matéria com imagens do e-mail em que é citado o nome de Dias Toffoli para a Procuradoria Geral da República (PGR) para que a procuradora-geral, Raquel Dodge, analise se irá ou não investigar o fato.

A PGR, por meio de nota oficial divulgada na sexta-feira (12), afirmou que não recebeu nenhum material e não comentou sobre a reportagem.

Ainda na sexta-feira, segundo a decisão de Alexandre de Moraes, Dias Toffoli mandou mensagem em que pedia que os fatos fossem apurados. A decisão do ministro Alexandre de Moraes diz que o esclarecimento feito pela PGR faz com que a matéria "O amigo do amigo de meu pai" seja um típico exemplo de fake news, exigindo então a intervenção do Poder Judiciário.

A assessoria de imprensa do STF disse que não se trata de censura prévia, e sim de responsabilização de material supostamente criminoso e ilegal.

Não perca a nossa página no Facebook!
Leia tudo