Desde 30 de agosto, quando as primeiras manchas surgiram no litoral da Paraíba, o problema ocasionado pelo derramamento de petróleo cru só se expande pela região. Todos os estados do Nordeste brasileiro foram afetados pela poluição que as correntes marítimas trouxeram, coroando a certeza de que essa foi a pior tragédia ambiental já vista até então por aqui.

No mês de setembro, foi a vez de Sergipe e Pernambuco sofrerem com as consequências do combustível negro, em estado bruto. Porém, até o momento presente, o estado nordestino mais atingido é o Rio Grande do Norte.

Segundo a atualização do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) feita na sexta-feira (11), indica que, aproximadamente, 156 locais costeiros de 71 municípios acusaram a presença de óleo em terra firme ou na arrebentação próxima das praias.

A grande mancha que tomou conta dos mares brasileiros tem o seu primeiro extremo na cidade de Alcântara, no Maranhão e se estende até a outra ponta em Esplanada, na Bahia. Símbolo da integração nacional, até o Rio São Francisco pode sentir o impacto advindo do petróleo jogado no mar.

Especulações e mais especulações

Este óleo cru se alastra abaixo da superfície do mar, o que dificulta a precisão em achar qual o local de origem e sua extensão.

A Marinha não possui um linha definida sobre a causa do megavazamento; ela se limita a dizer que existem muitas hipóteses que incluem naufrágios em alto-mar e transferência acidental de um navio para outro até vazamentos provindos de poços petrolíferos e lavagem de tanques de navios.

Os militares marítimos afirmam que o derramamento do combustível aconteceu próximo à costa do Brasil. Isto se choca frontalmente com a teoria de especialistas que localizam o foco do vazamento a uma distância compreendida entre 400 km e 1000 km do litoral brasileiro.

As providências tomadas pela Marinha foram a abertura de um inquérito, dentro do qual se analisam os dados do tráfego naval na região Nordeste.

Estima-se que 140 embarcações navegaram durante o primeiro dia de agosto até o primeiro dia de setembro. Todos os navios com características de transporte de óleo cru foram notificados a dar informações.

Testes realizados com amostras colhidas na região litorânea mostram que o petróleo encontrado possui similaridade com o que é produzido e explorado na Venezuela. Por sua vez, a estatal petrolífera daquele país (PDVSA) nega qualquer envolvimento, acidental ou criminoso, com o desastre ambiental.

Do lado de cá, representantes do Governo Brasileiro tratam o assunto como criminoso ou quase isso; mesma opinião emitida pelo Presidente Jair Bolsonaro.

Mas, não se tem certeza de nada e há muita troca de afirmações, escusas e empurra-empurra no campo da retórica e das relações exteriores.

Maiores prejudicados

Arrastando-se por quase um mês e meio após o primeiro registro, quem arca com o maior ônus desta situação desoladora são os Animais, o próprio mar e os que vivem dele para sua sobrevivência, como os pescadores.

Só no Rio Grande do Norte, 22 tartarugas marinhas foram atingidas cobertas pelo óleo cru e boa parte das cidades potiguares não conta com infraestrutura e nem pessoal qualificado para debelar ou minimizar o impacto do desastre.

De acordo com o professor Márcio Nele da UFRJ, o que mais se recomenda é ação rápida, pois se “a mancha se espalha, o problema aumenta muito, o óleo se mistura com a água do mar e com a areia e fica mais viscoso, mais difícil de ser dispersado”.

Não menos prejudicados, os turistas que visitam o Nordeste devem evitar qualquer tipo de contato com o material, uma vez que podem ocorrer alergias, irritações na pele, vermelhidão e formação de acnes. Se houver contato, recomenda-se lavar o local afetado com água e sabão ou detergente.

Quanto à ingestão de frutos do mar contaminados, especialistas apontam que não se sabe ao certo quais seriam as consequências para a saúde humana. Porém, quando o petróleo é ingerido em grande quantidade, pode se tornar um produto com alta toxicidade, provocando danos à saúde.

O que permanece mesmo nesta história são causas desconhecidas, informações desencontradas que contribuem para alimentar o mistério da origem e sua real motivação, porém com efeitos de contornos muito bem definidos e visíveis à opinião pública daqui do Brasil e do resto do mundo.

Os olhos dos brasileiros se dividiram: enquanto um olho assistia perplexamente à devastação da Amazônia por queimadas, o outro teve que, forçosamente, se dirigir ao mar tingido de negro, disputando espaço na paisagem arenosa e clara de um Nordeste atrativo turisticamente por suas águas e praias.

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