Em comunicado emitido na quarta-feira (29), relatores da Organização das Nações Unidas (ONU) criticaram as posturas do Governo federal brasileiro diante da pandemia causada pelo coronavírus.

A nota foi direcionada diretamente ao Brasil, após a diretora de operações do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), Georgette Gagnon, declarar preocupação quanto às "mensagens conflitantes" que vêm sendo emitidas pelas autoridades brasileiras, algumas delas subestimando a gravidade da doença, em entrevista coletiva virtual na segunda-feira (27).

As manifestações da ONU se deram em resposta a denúncias contra o presidente Jair Bolsonaro, que vêm sendo realizadas por organizações e instituições diversas.

O comunicado, de acordo com o colunista Jamil Chade, do portal UOL, fala em "políticas econômicas e sociais irresponsáveis" sendo conduzidas pelo Brasil, as quais estariam colocando em risco "milhões de vidas". Durante a entrevista, Gagnon também mencionou a preocupação do ACNUDH com as parcelas mais vulneráveis da população, como as comunidades indígenas, os moradores de rua e aqueles indivíduos que se encontram internados em instituições.

Na semana passada, os ex-ministros da Saúde Alexandre Padilha, Humberto Costa e Arthur Chioro denunciaram Bolsonaro ao Alto Comissariado por violação dos direitos humanos à saúde e à vida. Alertaram, ainda, para a possibilidade de genocídio devido ao não cumprimento das medidas sanitárias para contenção da covid-19.

No início de abril, a Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados também denunciou o presidente à ONU e à Organização Mundial da Saúde (OMS), redigindo um documento em que identifica as falas de Jair Bolsonaro minimizando a doença e seus efeitos, colocando o bem-estar da população em risco.

Ainda no final de março, ex-ministros da Saúde e associações médicas divulgaram notas de repúdio ao pronunciamento do presidente, em cadeia nacional de rádio e TV, no qual chamou a covid-19 de "gripezinha". O documento redigido e assinado pelos ex-ministros alerta para o risco de sobrecarga do sistema de saúde como consequência das declarações de Bolsonaro contrárias às medidas de isolamento horizontal.

Brasil supera a China em número de mortos

Na terça-feira, 28, o Brasil atingiu a marca de 5.017 mortes por covid-19 oficialmente notificadas. Na China, provável local de origem da doença, foram contabilizados 4.643 óbitos.

Quando questionado a respeito dos altos números, na noite de terça, em frente ao Palácio do Planalto, Bolsonaro respondeu aos jornalistas: "E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre".

A declaração foi amplamente criticada por parlamentares, governadores e por figuras públicas no Twitter, como o ex-candidato à presidência João Amoêdo, que pediu respeito e solidariedade às famílias dos mortos, sugerindo que Bolsonaro renunciasse.

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