Sem previsão de uma nova formação de frente fria para a região do pampa gaúcho, os agricultores brasileiros próximos à fronteira da Argentina e Uruguai veem suas apreensões redobradas a partir desta semana.

A meteorologia diz que as altas temperaturas no Rio Grande do Sul propiciarão a movimentação da primeira nuvem de gafanhotos, parada na província argentina de Corrientes. Embora não causem dano direto aos seres humanos, os insetos são visitantes indesejáveis para lavouras e plantações, uma vez que seu apetite é extremamente voraz e destruidor. Representaria uma enorme perda do ponto de vista econômico para as famílias.

Caso não haja inversão de tempo na região, o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do Rio Grande do Sul, Ricardo Felicetti, acha que a nuvem deverá chegar em território brasileiro até o dia 22 de julho.

Ele salienta que, no caso da invasão de gafanhotos, já existe um plano operacional de emergência montado em parceria com o Ministério da Agricultura.

Tendência e mobilização

Ricardo Felicetti destacou o estado de alerta acionado na região, mas declarou que, por ora, os gafanhotos podem seguir para outra direção: a província de Entre Rios, na Argentina, divisa com o Uruguai.

Perguntado sobre quais produtos ou alimentos seriam mais afetados, Felicetti mencionou os maiores estragos e prejuízos nas plantações de trigo e canola.

E grande ameaça para a citricultura, cevada e pastagens de gado – tanto para os bovinos de leite como para os de corte.

Até o momento, a única orientação é de que os produtores rurais fiquem atentos e comuniquem qualquer chegada dos gafanhotos em suas propriedades às autoridades agrícolas.

Enquanto isso, do lado institucional, órgãos como o Ibama, Ministério da Agricultura e Secretaria do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul, elaboraram um plano emergencial e discutiram recursos direcionados ao combate da nuvem de insetos.

Outra nuvem negra?

O Serviço de Qualidade e Sanidade Vegetal (Senave), órgão do Paraguai, emitiu um boletim a respeito de uma segunda nuvem de gafanhotos presente no país. O Brasil está monitorando esta situação, mas com menor preocupação em relação à primeira infestação.

De acordo com os paraguaios, a movimentação da segunda nuvem ruma para o sudeste do país; mais especificamente para o município de Teniente Pico, província de Boquerón.

Os milhões de gafanhotos que formaram a primeira nuvem estão a pouco mais de 130 km de distância da cidade brasileira de Barra do Quaraí.

Contando com a ajuda do tempo e da sorte, os agricultores gaúchos dão graças ao frio, pois os gafanhotos não gostam de temperaturas baixas. Dependendo da quantidade contida na nuvem, os gafanhotos conseguem devorar grandes extensões e plantações em apenas algumas horas.

O momento é de elevar as mãos para o céu: sob frio intenso, os gaúchos se beneficiam do poncho para se aquecer e manter o corpo quentinho; já os gafanhotos não dispõem disso. Tomara que o poncho fique mais tempo fora do armário e seja um belo símbolo de resistência, agradando não só aos produtores como à vegetação.

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